Economia
Lula vê tarifa dos EUA como provável, mas aposta em negociações até a última hora
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acredita que o mais provável é que os Estados Unidos implementem tarifas sobre produtos brasileiros na próxima quarta-feira, 15, prazo máximo para decisão americana sobre a imposição de uma taxa de 25% sobre as importações do Brasil. Lula se reuniu com seus assessores no Palácio do Planalto nesta sexta-feira e solicitou que as negociações continuem até o último momento.
Em encontro com os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, Lula analisou a situação e estimou que o destino mais provável é a aplicação das tarifas. O presidente defende que as tarifas são injustas e sem justificativa, ressaltando que o papel do governo é manter o diálogo com os EUA até o fim.
Também foi debatida a possibilidade de um novo encontro com Jamieson Greer, Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), antes da quarta-feira, embora nenhuma reunião tenha sido agendada ainda. A avaliação é de que a sanção prejudica vários setores da economia brasileira e o Brasil não aceitará concessões que envolvam, por exemplo, o Pix.
Desde a reunião de Lula com Donald Trump na Casa Branca em maio, discutindo o tarifaço, o governo brasileiro já realizou quatro encontros com Greer. O governo também espera que, caso a tarifa seja confirmada, os EUA apresentem antecipadamente a lista dos produtos afetados antes do anúncio oficial.
Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 4,1 mil produtos exportados para os EUA podem sofrer com as tarifas, incluindo açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio.
Após a decisão americana na quarta-feira, o Palácio do Planalto planeja ajustar sua resposta e discutir estratégias de reação. A possibilidade de retaliação ainda não foi detalhada, pois o governo aguarda a lista precisa dos produtos sancionados para avaliar e planejar as medidas adequadas.
As tarifas foram sugeridas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela política comercial do país, que classificou várias ações e políticas brasileiras como “irracionais” ou restritivas ao comércio americano. A investigação começou em julho de 2025, por ordem do presidente dos EUA, Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, utilizada anteriormente em disputas comerciais contra a China.
Um dos principais pontos criticados pelos americanos é o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix. O relatório indica que o Banco Central do Brasil atua simultaneamente como regulador e operador do sistema, proporcionando vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras que oferecem serviços de pagamento digital.
Os EUA também questionam decisões judiciais brasileiras relacionadas a plataformas digitais, afirmando que autoridades emitiram ordens sigilosas para remoção de conteúdos políticos e suspensão de perfis em redes sociais, inclusive de residentes nos Estados Unidos.

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