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Mercosul não define cotas de exportação para UE

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Os ministros das Relações Exteriores do Mercosul se reuniram na quarta-feira (2) em Montevidéu em um ambiente cordial, mesmo diante das tensões entre Brasil e Argentina. Contudo, o grupo ainda não conseguiu estabelecer as cotas de exportação com benefícios tarifários para a União Europeia, conforme informado pelo governo do Uruguai.

Convocada pelo Uruguai, a reunião durou mais de três horas e contou com a participação dos chanceleres da Argentina, do Brasil, do Paraguai e da Bolívia, com o objetivo de discutir questões internas do Mercosul.

O bloco enfrenta um momento de conflito diplomático desde agosto, quando o presidente argentino Joaquín Milei acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de corrupção e roubo.

No entanto, o chanceler uruguaio, Mario Lubetkin, ressaltou o caráter aberto, franco e amigável da reunião com seus colegas Pablo Quirno (Argentina), Mauro Vieira (Brasil), Rubén Ramírez (Paraguai) e Héctor Francisco Huanca (Bolívia).

“Nenhum aspecto do Mercosul foi interrompido apesar dos desentendimentos”, afirmou Lubetkin em entrevista coletiva concedida após o encontro. Ele também mencionou que as divergências entre Brasil e Argentina não foram discutidas diretamente, apesar do retorno solicitado do embaixador argentino em Brasília.

Quatro meses após a entrada provisória em vigor do acordo comercial entre os países fundadores do Mercosul e a União Europeia (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), os chanceleres avançaram nas conversas sobre as cotas, mas não fecharam um consenso.

A União Europeia oferece cotas de importação com benefícios de tarifas, e cabe ao Mercosul decidir como essas cotas serão distribuídas entre os países membros. No momento, ainda não há unanimidade para estabelecer as cotas, segundo Lubetkin.

O chanceler uruguaio disse que Argentina, Brasil e Uruguai possuem posições mais alinhadas, enquanto o Paraguai está afastado do consenso. Sem definição das cotas, as exportações são limitadas conforme a ordem de chegada.

Depois de mais de vinte e cinco anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia começou a vigorar em janeiro. No entanto, sua aplicação é provisória até que uma decisão judicial na Europa decida sobre sua legalidade.

Foi marcada uma nova reunião presencial em Montevidéu, para ocorrer em 45 a 60 dias, com o intuito de concluir o acordo sobre as cotas de exportação.

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