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Migrantes nadam e chegam em massa a Ceuta; Espanha ativa Exército após mortes
A Espanha decidiu mobilizar as Forças Armadas para restaurar a ordem na fronteira com o Marrocos, no enclave de Ceuta, após milhares de migrantes atravessarem o mar no último dia 30. Pelo menos nove pessoas perderam a vida durante a travessia, desencadeada por rumores de que a fronteira havia sido aberta.
O comunicado foi divulgado na noite de quinta-feira, depois que as autoridades locais solicitaram apoio do governo central em Madri, diante de uma crise crescente na região que culminou com multidões rompendo a cerca de fronteira.
Ceuta é uma cidade autônoma espanhola situada na costa norte da África, quase cercada pelo território marroquino. Os migrantes que conseguiram chegar estão em solo espanhol, embora ainda no continente africano.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, planeja visitar Ceuta junto ao ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, nesta sexta-feira, 31.
Segundo Rachid Sbihi, presidente da associação que representa os agentes da Guarda Civil em Ceuta, responsáveis pela segurança da fronteira, “a situação é de caos total”. Ele afirmou que milhares de migrantes cruzam o local, e que a fronteira entrou em colapso.
Achraf Maimouni, membro da Associação Marroquina de Direitos Humanos, qualificou o episódio como “excepcional”, destacando que a passagem foi aberta em circunstâncias atípicas nesta manhã, permitindo a travessia em massa.
Vídeos mostram grandes grupos, principalmente homens jovens, mas também famílias com mulheres e crianças, caminhando pelos quebra-mares da praia de Tarajal rumo às ruas da cidade. Entre eles, alguns exaltavam a Espanha.
A delegação do governo local confirmou que nove pessoas morreram no caos, com corpos vistos na água. Autoridades recordaram que dezenas perderam a vida este ano tentando atravessar para Ceuta.
A escalada no fluxo migratório ocorre após um aumento no número de travessias a nado, apesar da ausência de posicionamento oficial das autoridades marroquinas. O ministério do Interior da Espanha afirmou que o governo do Marrocos coopera para impedir novas tentativas ilegais e acelerará o retorno das pessoas que entraram irregularmente.
O governo espanhol assegura a proteção dos cidadãos e da fronteira, mas não decretará estado de emergência nacional devido a questões migratórias.
Autoridades de Ceuta associam o aumento recente das entradas a uma decisão judicial que impede a devolução imediata de migrantes que chegam pelo mar, diferentemente daqueles que cruzam por terra. No entanto, alguns ativistas marroquinos duvidam que essa decisão tenha provocado tantas travessias, alegando que muitos migrantes desconheciam a mudança.
A Espanha é uma das principais portas para migrantes que buscam melhores condições na Europa, fugindo de crises econômicas ou conflitos. Em Ceuta, a travessia normalmente ocorre nadando cerca de cinco quilômetros a partir da cidade marroquina de Fnideq, ou em distâncias menores a partir de Belyounech.
Este episódio lembra a crise de maio de 2021, quando milhares chegaram em poucos dias, ocasião em que o Marrocos foi acusado de flexibilizar a segurança em retaliação a decisões políticas espanholas.
Ceuta é um território espanhol desde 1580 e possui uma população diversa, incluindo cristãos, muçulmanos, espanhóis e marroquinos que vivem em relativa harmonia atrás da cerca fronteiriça, que muitos migrantes persistem em tentar atravessar em busca de uma vida melhor na Europa.
Juan Jesús Vivas, chefe do governo regional de Ceuta, solicitou ao governo nacional a decretação de estado de emergência para reforçar a segurança com o envio do Exército. Na quarta-feira precedente, alertou sobre a superlotação dos centros de acolhimento, com centenas dormindo nas ruas após a entrada de mais de 1.500 migrantes na última semana.
Até o momento, o Ministério do Interior espanhol reportou quase 3 mil entradas ilegais em Ceuta neste ano, seja por terra ou mar, e prepara relatório migratório para 3 de agosto.
Segundo o Ministério, a legislação vigente não considera o fluxo migratório uma ameaça à segurança nacional, mas as esferas governamentais estão coordenadas para responder rápida e eficazmente à situação.

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