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Motta reclama apoio de Lula a adversário do seu pai no Senado

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Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, expressou insatisfação a pessoas próximas sobre a postura que considera injusta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A insatisfação ocorre em um momento delicado, em que o governo enfrenta dificuldades para aprovar propostas importantes no Senado e vê Motta como um aliado fundamental.

O motivo principal do descontentamento foi um vídeo divulgado no início de junho, no qual Lula manifesta apoio à reeleição do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB). Veneziano está concorrendo ao Senado contra Nabor Wanderley (Republicanos), pai de Hugo Motta.

Embora um aliado de Motta esperasse um apoio do presidente a Veneziano devido à proximidade entre eles, o deputado foi surpreendido com a divulgação do vídeo, que ocorreu antes do início oficial do processo eleitoral. Segundo esse aliado, faltou cuidado por parte da equipe presidencial em relação a esse assunto.

Hugo Motta criticou o vídeo do candidato Veneziano, qualificando-o como um ato de “desespero”. Ele destacou que a campanha adversária está reagindo ao crescimento do grupo político ao qual pertence, incluindo a popularidade do governador e de seu pai, e que o apoio do presidente Lula seria uma tentativa de manter sua influência.

Apesar do incômodo, interlocutores do presidente acreditam que essa chateação é passageira e que a relação política entre o Planalto e o Congresso permanece sólida, com Motta desempenhando papel importante na tramitação de pautas relevantes.

Um dirigente petista envolvido na coordenação da pré-campanha de Lula minimizou o impacto do vídeo, ressaltando que o presidente reconhece Motta e seu pai como aliados e espera valorizá-los durante a campanha, tendo em vista que Nabor Wanderley integra a chapa que contará com apoio oficial em seu estado.

Hugo Motta tem sido fundamental na agenda legislativa, auxiliando o governo a destravar propostas como a emenda que acaba com a jornada de trabalho 6×1, considerada prioritária pelo presidente e uma possível marca de sua gestão. Além disso, ele avançou na aprovação da proposta sobre minerais críticos e a PEC da Segurança Pública.

Por outro lado, Motta gerou controvérsia ao reabrir a discussão sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, proposta apoiada pela oposição e que o governo procura impedir que avance antes das eleições.

Segundo fontes governistas, Motta tem adotado uma postura equilibrada, ora se aproximando do governo, ora sinalizando para a oposição, buscando atender às diferentes facções políticas que o apoiaram.

Com as mudanças na equipe ministerial em função das eleições, o Planalto implementou uma dinâmica colaborativa nas negociações com Hugo Motta, que se reúne semanalmente com vários ministros e líderes para discutir as pautas em andamento. Também houve agilidade nos pagamentos das emendas parlamentares, o que tem sido reconhecido por ele.

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