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Neto de João Goulart pede reabertura da investigação sobre morte do ex-presidente

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A morte do ex-presidente João Goulart, conhecido como Jango, completa 50 anos em dezembro. Oficialmente registrada como ataque cardíaco, sua morte vem gerando dúvidas, especialmente por ter acontecido próxima a falecimentos de outros opositores da ditadura militar, como o ex-presidente Juscelino Kubitschek e o ex-governador Carlos Lacerda. O neto de Jango, o advogado e escritor Christopher Goulart, defende a reavaliação desse caso. Em entrevista ao podcast “Direto de Brasília”, na ocasião do lançamento de seu livro “E Manchado de Sangue Terás que Crescer: Uma Vida de Lutas”, ele afirma não ter dúvidas de que seu avô foi vítima de assassinato pela ditadura.

O título do livro de Christopher é inspirado em um poema escrito por seu pai, João Vicente Goulart. Questionado se sua obra é impactante, ele respondeu que sempre gostou de escrever, sendo também músico e advogado. O livro nasceu durante a pandemia, com o objetivo de mostrar a realidade de ser neto de um presidente deposto por um golpe militar, destacando a dificuldade de viver à sombra de uma figura tão marcante na política brasileira e mundial.

Christopher conta que seu relato é uma história de superação, destinada a qualquer leitor, independente de interesse por política ou ideologia. Ele entende que o sofrimento deve ser transformado em algo produtivo e destaca sua ligação profunda com a história do Brasil, apesar de ter nascido no exílio em Londres. O golpe de 1964, que derrubou seu avô, influenciou diretamente sua existência. Ele rejeita o papel de vítima, valorizando a gratidão como resposta a adversidades.

Recentemente, as investigações sobre o acidente que matou Juscelino Kubitschek foram reabertas, com a Comissão da Verdade afirmando que o ex-presidente foi assassinado. Christopher explica que é sabido que o motorista de Juscelino tinha uma lesão causada por projétil, o que colaborou para o acidente fatal, mas o assassinato dele foi concluído após o homicídio do motorista. Ele reforça que o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul mantém um procedimento aberto sobre o falecimento de João Goulart, destacando o contexto político da América Latina na época, com diversos golpes e perseguições a líderes políticos.

Segundo Christopher, seu avô foi assassinado na chamada Operação Escorpião, ligada à Operação Condor e envolvendo agentes americanos. Ele acredita que um composto químico teria sido colocado numa cápsula que Jango tomou, causando o infarto. Ele argumenta que mesmo sem essa hipótese, o exílio forçado por 12 anos e a impossibilidade de retorno ao Brasil configuram um assassinato mais cruel que uma morte violenta direta.

Embora evidências técnicas, como exumações, não tenham confirmado veementemente o envenenamento, o inquérito civil público permanece ativo no Ministério Público. Christopher enfatiza que a importância está na vida de Jango e seu legado, pois ele, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda faleceram num curto período, o que indica uma prática política de eliminação de opositores pela ditadura brasileira.

Como advogado e familiar, Christopher estudou detalhadamente a Operação Condor e destaca a empatia única de seu avô com o povo e sua visão avançada para o tempo. Ele lamenta a falta do humanismo na política atual, algo que marcava o espírito de Jango, especialmente durante o exílio, quando sofreu vigilância constante e perseguição em diversos países da América do Sul.

Christopher relembra que seu avô foi o único presidente brasileiro a morrer no exílio, o que simboliza a crueldade do golpe militar. Ele também comenta a relação com o ex-governador Leonel Brizola, cunhado de Jango, destacando suas diferenças: Brizola era mais combativo, enquanto Jango buscava o diálogo e a conciliação.

Sobre a resistência pós-golpe, Christopher reconhece que Jango evitou conflitos mais violentos e guerras civis, agindo com responsabilidade diante das circunstâncias. Ele destaca que Jango possuía informações que outros líderes, como Brizola, não tinham, o que influenciou suas decisões políticas.

O título do livro, que significa uma mensagem de superação e missão, foi uma criação do pai de Christopher após a perda trágica de seu próprio pai. Esse poema representa a continuidade da luta e a marca indelével do golpe na história da família e do país.

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