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Nova plataforma revela ligação entre desmatamento e conflitos no campo

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O Observatório Socioambiental lançou uma plataforma inédita que reúne informações sobre mudanças no uso da terra e conflitos no campo dos últimos 40 anos, de 1980 a 2023. A ferramenta junta dados sobre violações de direitos humanos, desmatamento e expansão da agricultura no Brasil para ajudar na transparência e no debate público.

Esse projeto foi criado por várias organizações, incluindo o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), WWF-Brasil, Fern, IMAFLORA, ICV, Aid Environment, Global Canopy, Trase e Observatório do MATOPIBA, que atuam na proteção da terra, dos povos indígenas e comunidades tradicionais.

A plataforma, acessível pela internet, permite ver informações detalhadas por estados e cidades sobre a relação entre o crescimento da produção agrícola e os conflitos socioambientais.

Conforme as especialistas Isabel Figueredo, coordenadora do Programa Cerrado do ISPN, Simone Madaloso, assessora técnica do ISPN, e Marina Comandulli, assessora de direitos humanos e desmatamento do Global Canopy, a plataforma tem o objetivo de aumentar a conscientização sobre esses conflitos, mostrando dados de forma simples e clara.

A principal inovação é que a plataforma junta dados que antes estavam separados, facilitando análises. Por exemplo, informações da Comissão Pastoral da Terra, que antes eram difíceis de consultar, agora podem ser pesquisadas por ano, estado ou tipo de conflito, mostrando como o aumento da soja, pecuária ou cacau está ligado aos conflitos em certas regiões.

Essa ferramenta é um ponto de partida para entender o tema, mas análises mais detalhadas ainda precisam combinar outras fontes e pesquisas específicas.

O lançamento ocorre num momento em que o Brasil é uma potência agrícola, mas enfrenta altos índices de violência no campo. Em 2023, foram registrados mais de 2,2 mil casos, o maior número já registrado, com quase um milhão de pessoas afetadas. Mais de 78% dos casos envolvem disputas por terra, frequentemente acompanhadas por ataques a povos indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais.

A plataforma também pode ajudar gestores públicos e o sistema de Justiça a tomar decisões sobre o uso da terra e a proteção dos direitos humanos, além de aumentar a pressão por mais transparência nas cadeias produtivas. Atualmente, muitas empresas têm compromissos, mas não rastreiam totalmente a origem dos produtos. A nova ferramenta mostra que os dados existem e podem ser usados para esse acompanhamento.

Panorama da violência e do desmatamento

Entre 2002 e 2023, o Brasil teve pelo menos 89.583 conflitos sociais no campo, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra. Desses, 30,9% são disputas por terra e 12,9% envolvem violência direta contra trabalhadores rurais, como assassinatos e ameaças. O estado do Pará lidera o ranking, seguido por Minas Gerais e Maranhão.

Os dados mostram que as áreas de conflito coincidem com regiões que sofreram maior pressão ambiental. No mesmo período, o Pará teve 12,4 milhões de hectares desmatados, seguido por Mato Grosso, Bahia e Maranhão. Isso indica que o avanço da agricultura está ligado ao aumento das disputas e violações no campo.

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