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Novo denuncia presidente do TST no CNJ por discurso sobre juízes vermelhos e azuis
O partido Novo entrou com uma reclamação disciplinar nesta segunda-feira (4) no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Luiz Phillipe Vieira de Mello. O magistrado gerou polêmica após mencionar juízes “vermelhos” e “azuis” na Justiça do Trabalho, frase que foi interpretada como referência à divisão política no Brasil.
As declarações foram proferidas por Mello Filho durante o 22º Congresso Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Conamat), realizado entre 29 de abril e 2 de maio de 2026, em Brasília.
No documento enviado à Corregedoria Nacional de Justiça, sob responsabilidade do ministro Mauro Campbell Marques, o Novo alega que o ministro adotou uma “postura incompatível com a magistratura” ao afirmar, em discurso, que “nós, vermelhos, temos causa”, contrapondo diferentes visões dentro do Judiciário.
Depois da repercussão negativa, o próprio magistrado explicou que a fala foi uma resposta ao ministro do TST Ives Gandra Martins Filho, que havia classificado juízes como “azuis e vermelhos” em palestra, para descrever correntes distintas na Corte relacionadas a posições mais “liberais” ou “intervencionistas” e atitudes “legalistas” ou “ativistas”.
“Ele nos dividiu em vermelhos e azuis. Eu estou dizendo: se vermelho é defender o Direito do Trabalho e o que a Constituição determina como nossa competência, então que eu seja vermelho”, declarou o ministro em entrevista ao Estadão. A representação do partido não menciona o caso dos 14 ministros do TST que ministraram aula a advogados sobre atuação na corte.
Além da fala, a reclamação do Novo destaca também a crítica do ministro ao que chamou de “capitalismo selvagem e desenfreado” e a defesa de mudanças nas relações de trabalho, como o fim da escala 6×1. O partido argumenta que esses posicionamentos públicos reforçam a ideia de um possível alinhamento ideológico.
De acordo com o Novo, houve violação de princípios previstos na Constituição, na Lei Orgânica da Magistratura (Loman) e no Código de Ética da Magistratura, especialmente em relação à neutralidade e à proibição de atuação político-partidária.
Para o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, a ação busca proteger a credibilidade do Judiciário. “Quando um magistrado, em especial na mais alta posição de um tribunal, faz um discurso com viés ideológico, ele compromete a confiança da sociedade na imparcialidade da Justiça. Estamos defendendo o rigoroso cumprimento das normas que asseguram a neutralidade do Judiciário”, afirmou.
O partido requer que o CNJ aceite a reclamação, inicie o procedimento disciplinar e, ao final, aplique as sanções cabíveis, caso sejam comprovadas irregularidades.
Conforme reportagem do Estadão, Mello Filho e 21 ministros da Corte receberam salários em março superiores a R$ 100 mil. Outros três ministros tiveram remunerações entre R$ 52 mil e R$ 90 mil.

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