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Novo impasse entre Lula e Trump após encontro na ONU

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Não houve oportunidade para que a afinidade entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se desenvolvesse na estância termal de Évian-les-Bains, na França, onde ocorreu a reunião do G7 encerrada na quarta-feira.

Os dois líderes passaram dois dias nos bastidores do encontro dos chefes de Estado das maiores economias do mundo, com o Brasil como convidado, mas não iniciaram negociações sobre tarifas ou a classificação de grupos como organizações terroristas.

Vindo de espectros ideológicos distintos, Lula e Trump mantiveram distância desde o início da presidência americana em janeiro de 2025. Durante as eleições dos EUA, o brasileiro apoiou a democrata Kamala Harris.

No ano passado, Trump aplicou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, justificando a medida pela suposta “perseguição” na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe em 2023. Lula respondeu com firmeza, e parecia improvável qualquer diálogo entre os dois.

Entretanto, um breve encontro de 39 segundos nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em setembro, modificou essa dinâmica. Trump disse logo após, em seu discurso, que houve uma “excelente sintonia” entre eles.

Esse breve contato desencadeou telefonemas, outro encontro em outubro na Malásia e, em maio, uma visita de três horas de Lula à Casa Branca. O americano chegou a aliviar a tarifa, retirando alguns produtos da lista, e excluiu o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, das sanções previstas na Lei Magnitsky.

A visita parecia sinalizar uma fase de entendimento, mas vinte dias após o retorno de Lula ao Brasil, os EUA qualificaram as facções CV e PCC como organizações terroristas. Em seguida, propuseram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, após investigação comercial com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Ainda, anunciaram a conclusão de apuração sobre suposto trabalho forçado em 60 países, incluindo o Brasil, sugerindo tarifa adicional de 12,5%. Paralelamente, Trump postou uma foto com o senador e pré-candidato do PL à presidência, Flávio Bolsonaro, encontro ocorrido uma semana antes.

Após essa série de ações, Lula anunciou sua decisão no G7, suscitando expectativa por uma reunião com Trump. Embora não tenha ocorrido encontro formal, o americano afirmou ter conversado com o brasileiro.

Nas entrevistas finais da cúpula, ambos adotaram tom crítico. Trump afirmou que o Brasil é um “país politicamente complicado” e mencionou a condenação do deputado cassado Eduardo Bolsonaro pelo Supremo, confundindo inclusive os filhos do ex-presidente. Lula, por sua vez, condenou as sugestões de tarifas adicionais e pediu para que o americano “não interfira nas eleições brasileiras”.

Ao término do encontro em Évian-les-Bains, a relação entre os dois presidentes regrediu ao estado anterior à reunião da ONU, em setembro do ano passado.

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