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Número de mortos sobe no Nepal e premier chama tragédia de ‘impensável’

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Com o passar dos dias, a verdadeira extensão da calamidade causada pela avalanche que devastou partes do Nepal e da China na quarta-feira passada torna-se ainda mais evidente. Nesta segunda-feira (31), o número de vítimas fatais ultrapassou 900, enquanto cerca de 4.700 pessoas continuam desaparecidas.

O primeiro-ministro nepalês Balendra Shah descreveu a situação como um desastre natural de proporções impensáveis e profundamente triste, mas assegurou que o país está determinado a proteger seus cidadãos a todo custo.

Os socorristas enfrentam condições extremamente difíceis e riscos constantes de novas inundações enquanto trabalham intensamente para encontrar sobreviventes sob os escombros deste desastre no Himalaia.

Uma história emocionante marcou as operações de resgate: na sexta-feira (28), uma menina de 6 anos foi encontrada viva sob os destroços, com apenas a cabeça visível. “Hoje ela está fora de perigo e se recupera em um hospital com sua família”, informou Bahadur Karki, um dos coordenadores das ações.

Infelizmente, o contato ainda não foi restabelecido com mais de cem trabalhadores possivelmente presos num túnel em obras na área afetada. O Exército nepalês intensifica os trabalhos de drenagem e remoção de entulho, utilizando explosivos e máquinas escavadoras em túneis da região, incluindo áreas próximas a usinas hidrelétricas e barragens.

Militares, policiais e guias nepaleses trabalham dia e noite, com apoio de especialistas vindos da Índia, China e Coreia do Sul, para superar o difícil acesso ao local do desastre.

Shibu Giri, funcionário da usina Upper Trishuli hospitalizado em Katmandu, contou como sobreviveu à onda devastadora: “Foi como um tsunami, com um ruído enorme e uma gigantesca nuvem de poeira. Correndo para áreas elevadas, pensei que não conseguiria escapar.”

Do lado chinês, os resgates enfrentam obstáculos similares na região do Tibete, especialmente na fronteira de Gyirong, onde um posto foi arrastado pelas águas.

Especialistas atribuem essa avalanche catastrófica ao desmoronamento parcial de uma grande geleira, transformando um rio calmo em uma corrente violenta.

Os registros oficiais contabilizam até o momento 919 corpos encontrados: 903 no Nepal e 16 na região tibetana.

Milhares de vítimas já foram retiradas da área pelos esforços conjuntos de equipes de resgate aéreas e terrestres. Apesar disso, quase 5 mil pessoas permanecem desaparecidas, entre elas centenas de turistas, peregrinos e trabalhadores estrangeiros.

As autoridades chinesas implementaram sanções contra dez pessoas por disseminação de informações falsas na internet acerca da avalanche, sem detalhar as punições aplicadas.

Seis dias após a tragédia, familiares continuam buscando seus entes em hospitais e necrotérios por todo o Nepal. Na cidade de Bharatpur, no sul do país, a força das águas lançou cerca de 250 corpos dezenas de quilômetros rio abaixo.

Em necrotérios lotados, os familiares identificam vítimas através de vídeos, num processo difícil e urgente. Algumas vítimas já foram enterradas provisoriamente para evitar riscos à saúde pública, com a possibilidade de exumação e rituais adequados futuramente conforme costumes hindus.

“Muitos corpos começaram a se decompor”, explicou Amrit Bahadur Rai, do Ministério das Relações Exteriores.

O governo nepalês estima que o custo da tragédia ultrapasse bilhões de dólares, considerando o impacto devastador ainda em curso. Abiodun Banire, do Unicef no Nepal, resume: “Esta é uma tragédia que ainda não terminou.”

Esta calamidade foi desencadeada pelo rompimento parcial de uma geleira, que provocou uma enorme parede de água e detritos que desceram o rio com força avassaladora, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Balendra Shah destacou a injustiça do desastre, lembrando que o Nepal, embora tenha uma das menores emissões de carbono per capita do mundo, sofre fortemente os efeitos das mudanças climáticas devido à rápida aceleração do derretimento de suas geleiras no Himalaia, a maior cadeia montanhosa do planeta.

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