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Oito planetas podem abrigar vida além da Terra
Um pesquisador brasileiro descobriu oito planetas fora do Sistema Solar que podem ter água em estado líquido, indicando potencial para a existência de vida. O estudo foi realizado por Fábio Calabrio Evangelista da Silva sob supervisão do professor Marcelo Borges Fernandes do Observatório Nacional.
Silva examinou dados de mais de 6 mil exoplanetas catalogados pela Nasa, analisando características como raio, densidade e distância em relação às estrelas. Ele selecionou planetas com dimensões semelhantes à Terra e que orbitam na chamada zona de habitabilidade, onde a temperatura permitiria água líquida.
“A zona de habitabilidade é aquela ideal para a água líquida — nem muito quente nem muito fria —, chamada de Goldilocks Zone ou Zona dos Cachinhos Dourados”, explica Silva.
Além disso, estimou propriedades atmosféricas, pressão e temperatura para identificar os oito exoplanetas que mais se assemelham à Terra e que apresentam maior chance de sustentar vida.
O GJ 1002b é o exoplaneta com maior semelhança, alcançando 98%. Localizado a 16 anos-luz, orbita uma estrela anã-vermelha e completa sua órbita em apenas 10 dias.
Procurando vida alienígena
Professor Marcelo Borges Fernandes destaca que a busca é por planetas com condições similares à Terra, mas outras formas de vida podem existir com requisitos diferentes.
Desde a Grécia Antiga, a ideia de vida fora da Terra fascina a humanidade. Com a corrida espacial, a atenção se voltou para corpos do nosso Sistema Solar e para a recepção de sinais extraterrestres.
Com a descoberta dos primeiros exoplanetas em 1992, agora são mais de 6 mil conhecidos, ampliando locais potenciais para vida na galáxia.
Entretanto, investigar esses planetas, distantes anos-luz, só é possível por meio de telescópios que analisam a luz estelar filtrada pela atmosfera dos planetas.
Telescópios como o James Webb examinam variações na luz para identificar sinais químicos característicos da presença de vida, chamadas bioassinaturas, que na Terra geralmente envolvem gases como metano e oxigênio.
Um estudo recente encontrou metano, dióxido de carbono e uma possível molécula ligada à vida no exoplaneta K2-18b, levando a especulações da mídia sobre sinais de vida.
Evidências e cautela
Porém, muitos sinais encontrados podem ser gerados por processos não biológicos, como atividade geológica ou radiação, enfatiza Fernandes.
O pesquisador José Aponte, da Nasa, reforça que a comprovação exige múltiplas evidências, como repetição consistente de moléculas, predominância de moléculas quirais específicas e análise isotópica detalhada.
Além disso, apesar da presença de moléculas orgânicas complexas como aminoácidos e componentes dos ácidos nucleicos em amostras extraterrestres, sua existência isolada não confirma vida.
Aponte ressalta que moléculas frágeis, como cadeias de RNA, seriam evidências mais sólidas por sua rápida degradação em ambientes naturais.
Perspectivas futuras
Missões futuras no Sistema Solar, como a Europa Clipper e a Dragonfly, esperam explorar luas de Júpiter e Saturno em busca de ambientes que possam suportar vida, examinando oceanos subterrâneos e atmosferas ricas em compostos orgânicos.
Há também interesse em Enceladus e Marte, que podem possuir reservas de água adequadas para vida.

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