Brasil
PCC de São Paulo vira alvo dos EUA
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos identificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) como a maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental, em um relatório divulgado em 1º de novembro de 2024.
Atualmente, o PCC é reconhecido como a principal organização criminosa transnacional da região, com operações expandidas para países como Reino Unido, Turquia e Japão. Nos Estados Unidos, o grupo representa uma ameaça significativa e crescente.
O governo americano afirma que o PCC utilizava o sistema financeiro dos EUA para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas, configurando uma ameaça à segurança nacional devido às suas atividades de lavagem de dinheiro, tráfico e contrabando.
Origem: conflitos em Taubaté com Cesinha e Geleião
O Primeiro Comando da Capital (PCC) surgiu na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, conhecida como “Piranhão”, um presídio com condições difíceis e conflitos frequentes. O Massacre do Carandiru em 1992 agravou as tensões no local.
Em 31 de agosto de 1993, oito detentos atacaram outros dois presos rivais durante um campeonato de futebol, evento capitaneado por nomes como Geleião e Cesinha. Esse episódio marcou a criação do PCC.
Nos primeiros anos, o grupo adotou uma postura mais agressiva contra o Estado, influenciado por líderes como Cesinha, Sombra e Geleião.
Expansão e estrutura sob o comando de Marcola
Com a liderança de Marcola, o PCC passou a se organizar como uma irmandade secreta, com regras rígidas e proteção para seus membros, consolidando-se como uma força dominante no narcotráfico do Brasil.
Operações internacionais e liderança na Baixada Santista
A organização expandiu sua presença internacionalmente, motivada por condenações de dirigentes e restrições em presídios federais. O uso do celular facilitou essa expansão no início dos anos 2000.
Líderes como André do Rap, Fuminho e Cabelo Duro ganharam destaque na Baixada Santista, acumulando riquezas ligadas ao crime. Em 2018, divergências internas surgiram entre eles e Gegê do Mangue, outro líder do PCC.
Gegê foi assassinado em uma emboscada no Ceará, e Cabelo Duro também foi morto pouco tempo depois, um evento que abalou a organização dada a complexidade dos laços internos.
Assassinato do delator e ex-delegado-geral de SP
Em novembro de 2024, Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, delator do PCC, foi morto no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Ele colaborava com o Ministério Público do Estado de São Paulo em investigações importantes contra o crime organizado. O motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais também foi morto no atentado.
As investigações indicaram envolvimento de policiais militares no crime, que foram presos e enfrentam graves acusações. O PCC também está ligado ao assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, conhecido por sua luta contra a facção.
Presença global e força da organização
De acordo com levantamento do Ministério Público de São Paulo, o PCC conta com mais de 2 mil integrantes distribuídos em pelo menos 28 países, incluindo Portugal, Espanha, França, Holanda e Inglaterra, além do Brasil.
Na América do Sul, o grupo mantém forte presença no Paraguai, Venezuela e Bolívia, reforçando sua atuação internacional e influência no tráfico de drogas.

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