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Risco de abusos para crianças migrantes nas ruas de Ceuta, dizem ONGs

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Centenas de menores desacompanhados continuam dormindo nas ruas de Ceuta, enfrentando o perigo de abusos e exploração após um surto migratório que começou há uma semana neste território espanhol localizado no norte da África, alertaram organizações humanitárias nesta quinta-feira (6).

Aproximadamente 72 mil migrantes chegaram a Ceuta no final de julho, a maior parte nadando ou a pé.

Desses, cerca de 70 mil já foram enviados de volta para Marrocos, conforme dados recentes do Ministério do Interior da Espanha.

Entre os migrantes ainda presentes nas ruas da cidade, há crianças que não podem ser expulsas imediatamente e que ainda não receberam suporte adequado das autoridades.

José Miguel Morales, diretor da Fundação Sur Acoge — organização baseada no sul da Espanha que oferece apoio a migrantes — revelou que algumas dessas crianças foram agredidas nas ruas.

“Cada dia sem solução ou um local seguro para elas representa um risco maior de que esses jovens, principalmente as meninas, sejam vítimas de diversos tipos de abuso”, declarou à emissora pública espanhola.

“Estamos falando de crianças reais, com 10 anos ou menos. Muitas têm menos de 14 anos”, completou.

Nas ruas

A ONG Save the Children pediu ações imediatas para localizar, identificar e acompanhar esses menores, destacando a vulnerabilidade especial das meninas e adolescentes migrantes.

Jornalistas da AFP viram nas ruas de Ceuta menores desacompanhados com pouco acesso a alimentos, água, abrigo e higiene básica nos dias seguintes à entrada em massa desses migrantes.

Na quinta-feira, grupos de jovens migrantes, muitos oriundos da África Subsaariana, foram vistos em áreas arborizadas e na praia da cidade autônoma.

Alguns jogavam futebol perto de um carro policial sob vigia dos agentes, outros rezavam na areia, enquanto determinados jovens dormiam na praia protegendo o rosto do sol ou usavam suas mochilas como travesseiros, rodeados pelos seus pertences devido à falta de abrigo.

Os centros de acolhimento estão superlotados, dada a pequena dimensão do território.

Capacidade esgotada

Autoridades locais informaram que tentam atender cerca de 1.100 menores, um número muito maior do que a capacidade habitual de 90 vagas.

“Nossa capacidade está completamente esgotada”, afirmou Alejandro Ramírez, vice-presidente de Ceuta, para a emissora La Sexta, classificando a situação como “insustentável”.

“Estamos trabalhando intensamente para adaptar espaços de emergência”, acrescentou, referindo-se à preparação de escolas e depósitos para abrigar as crianças e adolescentes.

Até agora, muitas crianças que continuam nas ruas dependem da ajuda de ONGs e da população local para obter comida e serviços básicos.

A organização beneficente Luna Blanca, sediada em Ceuta, afirmou que distribuiu entre 3.500 e 4.000 refeições diárias desde o início da crise.

“Os primeiros três dias foram muito difíceis. Não havia comida, água ou nada. A situação melhorou um pouco desde ontem”, contou à AFPTV Reda Saed, um egípcio que chegou a Ceuta.

Ajuda e tensões políticas

O governo do socialista Pedro Sánchez anunciou esta semana uma verba emergencial de 25 milhões de euros para ajudar Ceuta, cidade autônoma com aproximadamente 84 mil habitantes, a atender as crianças migrantes.

De acordo com as leis espanholas, as comunidades autônomas devem colaborar no acolhimento de menores vindos de áreas sob pressão migratória extraordinária.

No entanto, algumas comunidades governadas por coalizões do Partido Popular e do partido de extrema direita Vox resistem à colaboração, defendendo uma política migratória mais restritiva.

O líder do Vox, Santiago Abascal, escreveu no X: “Nem um euro dos espanhóis (…) para ilegais, invasores, mafias do tráfico de pessoas ou para Marrocos”.

Sonhos e perdas

Nas ruas de Ceuta, muitos migrantes disseram à AFP que fugiram da pobreza em seus países.

Analistas apontam que antes da crise circularam nas redes sociais notícias falsas sobre a abertura da fronteira em Ceuta.

“Queremos chegar à Europa para realizar nossos sonhos e os sonhos de nossas famílias”, disse Ahmad, um migrante do Iêmen, à AFPTV.

Pelo menos 78 pessoas morreram do lado espanhol durante a entrada massiva da semana passada, segundo Madri. Autoridades marroquinas informaram que 11 pessoas faleceram no lado marroquino da fronteira.

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