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Economia

Setor de cachaça cresce e bate recorde em novos estabelecimentos

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O mercado da cachaça experimentou, em 2025, o maior aumento registrado nos últimos anos no número de estabelecimentos produtores certificados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. O Brasil conta agora com 1.538 estabelecimentos, um crescimento de 21,5% em comparação a 2024.

Esse é o maior crescimento, tanto em números absolutos quanto em percentuais, desde o início da série histórica. De 2018 a 2025, o número de estabelecimentos subiu 61,7%, saindo de 951 para 1.538.

Esses dados fazem parte do Anuário da Cachaça 2026 (referente ao ano de 2025), divulgado nesta sexta-feira (31). O levantamento oficial do setor foi realizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária em colaboração com o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), entidade representativa do segmento.

O crescimento também se refletiu no número de produtos certificados, que atingiu 8.379, um aumento de 16% comparado ao ano anterior. O total de marcas associadas aos registros alcançou 11.131, crescimento de 16,8%, indicando o dinamismo e a diversidade do setor.

Outro ponto de destaque é a expansão geográfica da atividade. Atualmente, 844 municípios brasileiros têm pelo menos um estabelecimento produtor de cachaça registrado, um acréscimo de 14,8% em relação a 2024.

Esse dado evidencia o fortalecimento da cadeia produtiva nas diversas regiões do país e sua contribuição para o crescimento econômico local, principalmente em cidades do interior.

Regiões

Minas Gerais continua sendo o estado com o maior número de estabelecimentos cadastrados, totalizando 564 unidades, seguida por São Paulo (230) e Rio Grande do Sul (106). A região Sudeste concentra 62,5% dos estabelecimentos nacionais, apesar de todas as regiões terem registrado crescimento em 2025.

A região Sul foi a que mais avançou em termos percentuais, com expansão de 51,4% em comparação ao ano anterior. Salinas (MG) é a cidade com o maior número de estabelecimentos produtores de cachaça, com 27.

O levantamento também aponta que 11 municípios possuem dez ou mais estabelecimentos certificados, dois a mais do que em 2024. Brasília e São Paulo são as novidades nessa lista, ambas com dez estabelecimentos cada.

Minas Gerais lidera também no número de produtos registrados, com 2.922 cachaças, o que corresponde a 34,9% do total nacional. O Rio Grande do Norte apresenta a maior média de produtos por estabelecimento, com 10,8 produtos registrados em 15 estabelecimentos.

Quanto às marcas ligadas aos registros, Minas Gerais detém o maior número absoluto, com 4.043 marcas, uma média de 7,2 por estabelecimento. O Rio Grande do Norte apresenta a maior média de marcas por estabelecimento registrado, com 13,6 marcas por unidade, totalizando 204 marcas. É importante ressaltar que um único registro de cachaça pode abranger mais de uma marca comercial.

Exportação e produção

O desempenho internacional da bebida também mostrou resultados positivos em relação a 2024. Em 2025, as exportações atingiram 7,96 milhões de litros, um crescimento de 19,4%.

Em termos financeiros, as vendas externas somaram US$ 17,07 milhões, aumento de 17,4%, com envios para 76 países, igualando o maior número de destinos já registrado desde 2011.

Os Estados Unidos continuaram sendo o principal mercado em receita, representando cerca de 24% das exportações, enquanto o Paraguai liderou em volume exportado.

Apesar desses indicadores mostrarem uma trajetória constante de crescimento, o setor considera que os resultados ainda não atingem o pleno potencial da cachaça brasileira.

Vicente Bastos, presidente do Ibrac, destaca: “Os dados indicam a expansão e a resiliência de uma cadeia produtiva presente em todas as regiões do Brasil e formada majoritariamente por pequenos e médios produtores. Ao mesmo tempo, mostram que ainda estamos longe do verdadeiro potencial da cachaça, especialmente no mercado internacional.”

Ele acrescenta que, apesar do progresso, as exportações continuam em um nível modesto, especialmente quando comparadas ao tamanho do setor e ao mercado global de destilados. “Ainda há muito a ser feito para superar os desafios da inserção internacional.”

Para aumentar essa presença, Bastos enfatiza a necessidade de superar obstáculos estruturais, como a alta carga tributária e a falta de igualdade tributária no segmento de bebidas alcoólicas, fatores que prejudicam a competitividade do setor.

“Esses resultados reforçam a importância de fortalecer políticas públicas e ampliar ações de promoção, valorização e proteção da cachaça, em parceria com instituições públicas e privadas, para que esse patrimônio genuinamente brasileiro tenha o espaço que merece no Brasil e no mundo.”

Mesmo com o crescimento no número de estabelecimentos, produtos, marcas e exportações, o Anuário aponta que o volume declarado de produção em 2025 foi de 234,48 milhões de litros, representando uma diminuição de 15,77% comparado ao ano anterior.

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