Economia
Venda da Copasa movimenta R$ 8,4 bilhões
A venda da Copasa, a empresa de saneamento de Minas Gerais que atende a maioria dos municípios do estado, foi finalizada, reduzindo a participação governamental de 50,03% para apenas 5,03%. Essa transação gerou um montante de R$ 8,4 bilhões, com o preço das ações fixado em R$ 49,03, acima do valor mínimo estabelecido pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). O contrato de concessão valerá por 28 anos.
O Grupo Equatorial foi escolhido como o principal investidor na oferta pública de ações da Copasa, assumindo pelo menos 30% do capital social da empresa, conforme comunicado divulgado pela companhia.
Com a venda da participação do governo, a Equatorial Energia tornou-se acionista majoritária com 30% das ações, enquanto 65% permanecem distribuídas entre outros investidores no mercado. A Equatorial já era majoritária na Sabesp, empresa de saneamento em São Paulo, e essa aquisição fortalece sua posição como uma das principais empresas do setor no Brasil, segundo especialistas.
Ian Lopes, economista e sócio da Valor Investimentos, destaca que “a Equatorial se consolidou como uma das maiores plataformas do setor de saneamento no país. A privatização da Copasa foi a operação mais relevante no mercado de capitais neste primeiro semestre, e agora as expectativas estão altas quanto à eficiência operacional sob gestão privada.”
Uma das maiores operações no mercado
Essa privatização é uma das maiores transações recentes no mercado de capitais e no setor de saneamento. Somando com etapas anteriores, quando o governo mineiro vendeu ações da Copasa, inclusive à própria Equatorial, a operação trouxe cerca de R$ 13,9 bilhões aos cofres públicos, segundo analistas do setor.
O valor arrecadado fica atrás apenas da privatização da Sabesp, que movimentou R$ 14,8 bilhões em julho de 2024, marco histórico no saneamento brasileiro. A Equatorial investiu R$ 6,9 bilhões para adquirir 15% da Sabesp, com ações avaliadas em R$ 67 cada.
Embora a participação do governo tenha diminuído, ele continuará a deter a chamada ‘golden share’ (ação especial que dá poder de veto em decisões estratégicas da empresa). Isso garante que decisões importantes da Copasa precisam de aprovação prévia do Estado, conforme comunicado da Equatorial.
Além do bloco principal de ações, a Gerais Saneamento, fundo de investimentos do Grupo Equatorial criado para o setor, solicitou uma alocação extra que pode totalizar até 12,6% do capital social da empresa. O volume final será anunciado após a distribuição completa das ações.
“A Equatorial aguarda o encerramento do processo de bookbuilding para definir a participação adicional da Gerais Saneamento, que pode alcançar até 12,6% do capital social da Copasa”, informou a companhia.
De acordo com a Equatorial, o investimento reforça os objetivos de crescimento na área de saneamento, ampliando sua presença no Sudeste e diversificando suas operações geograficamente. Com a privatização, os investimentos para universalizar o saneamento até 2033 serão acelerados, com previsão de aporte de R$ 3,1 bilhões em 2026 e R$ 3,9 bilhões em 2027. As tarifas continuarão reguladas pela Arsae-MG, órgão regulador estadual, garantindo estabilidade e controlando reajustes.
O Grupo Equatorial é uma empresa nacional que se posiciona como a terceira maior distribuidora de energia do país por número de clientes. Atua em sete estados: Maranhão, Pará, Piauí, Alagoas, Rio Grande do Sul, Amapá e Goiás, atendendo mais de 14 milhões de consumidores. Possui presença em 29% do território nacional, abastecendo 16% dos consumidores do Brasil e respondendo por 11% do mercado de distribuição de energia elétrica. A empresa também atua em serviços, telecomunicações, comercialização, geração distribuída e expande suas operações no saneamento.
A operação foi conduzida por BTG Pactual, Itaú BBA, Bank of America, Citi e UBS BB. A privatização da Copasa chamou muita atenção do mercado pela transformação que representa, convertendo a empresa estadual em uma companhia de capital pulverizado. Sem controle estatal, a Copasa passa a operar como uma ‘corporation’, empresa sem controlador único definida, seguindo o modelo adotado pela Sabesp.


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