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Indecisos percebem desgaste de Flávio e viés eleitoral em ações de Lula

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Em meio a uma crise causada pela revelação da ligação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, eleitores indecisos têm considerado as tentativas de explicação do senador pouco convincentes.

Este grupo, fundamental para o resultado das eleições deste ano, também expressa certo descontentamento em relação a medidas recentes do governo Lula, como o programa Desenrola 2.0, que muitos veem como estratégias eleitorais.

Observados de perto pelo GLOBO, os indecisos e moradores de áreas eleitorais estratégicas têm se manifestado sobre diversos acontecimentos políticos importantes, como a imposição de tarifas dos Estados Unidos ao Brasil, a resposta do governo a essa situação, a PEC da Blindagem, a anistia para condenados pelo 8 de Janeiro, e a escolha de um sucessor para o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso após condenação por tentativa de golpe de Estado.

Nos últimos meses, o grupo também avaliou os impactos do escândalo envolvendo o Banco Master sobre políticos, bem como a questão da isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil. Em geral, demonstram rejeição a figuras ligadas à família Bolsonaro, mas também questionam gestos do governo que buscam melhorar a popularidade do presidente Lula.

Explicações inconsistentes

Os oito eleitores acompanhados relataram sua opinião sobre o pedido de dinheiro feito por Flávio Bolsonaro a Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai. Após a divulgação dos áudios pelo site Intercept Brasil, o senador apresentou várias versões acerca da relação com o banqueiro, a quem visitou enquanto estava em prisão domiciliar.

Na Bahia, o jornalista Vinícius Portugal expressa desconfiança quanto ao destino dos R$ 61 milhões repassados para o filme “Dark horse”:

— A explicação dada por ele não é convincente até que se prove que este valor realmente foi usado para o filme. Além disso, a imagem de Flávio já foi desgastada, pois foi comprovado que ele tinha conhecimento da operação contra Vorcaro e mesmo assim manteve uma relação próxima.

A psicóloga Laís Barreiros, de Salvador, também demonstra incômodo com a relação entre figuras públicas e interesses privados quando há suspeitas e falta de transparência.

Já a administradora Fabiana Gomes, de Belo Horizonte, critica as justificativas apresentadas, ressaltando que o dinheiro utilizado seria público, apesar de alegações contrárias:

— Ele agiu como se tivesse usado dinheiro público para questões pessoais, como ajudar a permanência do irmão nos Estados Unidos — comenta Laís, referindo-se às investigações da Polícia Federal sobre o envio dos recursos para um fundo ligado a um advogado próximo a Eduardo Bolsonaro.

A reação do presidenciável Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, que criticou Flávio logo após o episódio, também foi destacada pelos entrevistados. Lorena Mendes, de Manhuaçu, considerou a atitude de Zema uma tentativa de distanciamento do bolsonarismo para preservar sua imagem, enquanto Vinícius Ribeiro, de São Paulo, viu oportunismo para ganhar visibilidade como alternativa de voto.

Por outro lado, o balconista carioca Célio Gomes aceitou a postura de Zema como correta e útil para debates, embora o taxista Walter Dias achasse que o ex-governador não deveria se expor dessa forma no momento. Quanto à relação entre Flávio e Vorcaro, Walter acredita que houve um investimento superfaturado no filme.

Percepção instável

O grupo também é crítico ao governo petista, que recentemente relançou o Desenrola, um programa de renegociação de dívidas. O advogado Benedicto Patrão, de Niterói (RJ), considera a medida uma estratégia política para as eleições. Vinícius Portugal concorda e lamenta que programas assim surjam apenas em anos eleitorais.

A administradora Fabiana não se beneficia do programa, mas gostaria que fosse o começo de algo mais permanente:

— A classe média necessita de iniciativas que a ajudem a sair do endividamento e a construir possibilidades maiores.

Vinícius Ribeiro mencionou ser beneficiário do Desenrola, destacando que as parcelas são acessíveis. Para Célio Gomes, um ponto positivo do programa é a proibição de uso do benefício para apostas em jogos de azar.

Equipes da pré-campanha de Lula acreditam que o programa ajudou a melhorar a avaliação do governo, mas isso deve ser interpretado com cautela, principalmente entre eleitores independentes, que demonstram alta volatilidade em suas opiniões.

Pesquisas recentes mostram que a aprovação do governo entre independentes varia conforme o momento político. Em dezembro de 2024, a aprovação ultrapassou a desaprovação, mas desde então os índices oscilaram bastante.

Em maio de 2024, por exemplo, apenas 33% dos independentes aprovavam a gestão, contra 61% que desaprovavam. Cinco meses depois, essa diferença caiu para praticamente zero. Após a visita de Lula à Casa Branca, a desaprovação voltou a ser maior, mas com margem menor.

Depoimentos

  • Fabiana Gomes, administradora: “O Desenrola é um começo, mas a classe média precisa de mais para superar o endividamento.”
  • Vinícius Portugal, jornalista: “O Desenrola 2.0 é interessante, mas programas assim só aparecem em ano eleitoral.”
  • Vinícius Ribeiro, atendente: “Um dos benefícios é a proibição de uso do programa para jogos de apostas.”
  • Lorena Mendes, estudante: “A imagem de Flávio está abalada, mostrando que ele não é confiável.”
  • Célio Gomes, balconista: “As justificativas de Flávio Bolsonaro são um desrespeito à população.”
  • Laís Barreiros, psicóloga: “Não acho a explicação de Flávio convincente, especialmente no contexto atual.”
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