Conecte Conosco

Brasil

Educação fortalece consciência e autonomia entre Brasil e África

Publicado

em

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou, nesta segunda-feira (25), que a educação é fundamental para desenvolver a consciência crítica e superar desigualdades – algo que, segundo ele, é temido pela extrema direita.

Essa declaração ocorreu na abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), que reúne líderes de universidades brasileiras e africanas integradas pela Association of African Universities (AAU).

Durante sua fala, Lula mencionou que, na Cúpula de Líderes Celac-África realizada em março na cidade de Bogotá, foram destacados cinco pilares essenciais para a cooperação entre os países presentes: combate à fome; enfrentamento das mudanças climáticas; transição energética; democratização da inteligência artificial; e integração das cadeias produtivas.

Segundo o presidente, a educação é o instrumento-chave para ultrapassar todos esses desafios.

Ele ressaltou que a extrema direita teme a educação porque ela é a base para a ampliação da consciência das pessoas sobre a realidade.

“Por isso, em várias partes do mundo, a extrema direita não aceita a autonomia das universidades. Tentam silenciar professores e estudantes, restringir a diversidade, negar a ciência, censurar as artes e transformar as salas de aula em mecanismos de opressão”, destacou ao valorizar o papel libertador da educação.

“O pensamento crítico está intimamente ligado à luta contra o colonialismo, o racismo, a misoginia, a xenofobia e todas as formas de discriminação”, acrescentou, afirmando que as universidades continuarão a ser fortalezas da resistência.

Importância da Inteligência Artificial

Lula enfatizou também a relevância da educação para o progresso científico e tecnológico dos países, destacando a inteligência artificial como uma ferramenta estratégica.

Ele alertou para o “colonialismo digital” como uma ameaça concreta e atual, na qual poucos países e empresas praticam dominação por meio dos algoritmos. Defendeu que, sem investimentos em infraestrutura digital, não será possível avançar em áreas como alta tecnologia, saúde, agricultura e educação básica.

Além disso, defendeu que os sistemas de inteligência artificial sejam desenvolvidos nas línguas dos povos africanos.

O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê duas linhas de financiamento voltadas para a cooperação com África e América Latina, com US$ 20 milhões destinados a projetos conjuntos e US$ 10 milhões para uso de infraestruturas brasileiras de IA para estimular a colaboração entre pesquisadores.

Universidades africanas e cooperação

O secretário-geral da Associação de Universidades Africanas, Olusola Oyewle, afirmou que o apoio brasileiro às instituições do continente começou no primeiro governo Lula, destacando que muito ainda pode ser realizado.

“O Brasil promove a capacitação das nossas universidades há anos, iniciando com bolsas de estudo e avançando para a colaboração em pesquisas”, afirmou.

Ele ressaltou a necessidade de descolonizar os currículos e aprimorar as pesquisas realizadas diretamente na África, pedindo o apoio de países como o Brasil nesse esforço.

Programa Capes Move África

No evento, foram firmados acordos relacionados ao programa Capes Move África, que prevê investimento de R$ 47,4 milhões para a vinda de 2,6 mil estudantes de pós-graduação do continente africano ao Brasil a partir de 2027.

Desse total, 1,6 mil bolsas serão para mestrado sanduíche, modalidade em que parte dos estudos é realizada em outra instituição, e 1 mil bolsas para doutorado sanduíche.

Consolidação da parceria acadêmica

O fórum de reitores visa estabelecer a educação superior como eixo central da relação bilateral entre Brasil e países africanos, funcionando como plataforma estratégica para ampliar a integração acadêmica, científica e tecnológica.

Estão previstas atividades como painéis temáticos, reuniões bilaterais, oficinas e sessões focadas na criação de novas parcerias universitárias.

Espera-se que essas ações promovam a ampliação das parcerias e intercâmbios entre instituições acadêmicas do Brasil e da África, estimulando novos acordos institucionais, programas de mobilidade estudantil, intercâmbio científico e cooperação em áreas estratégicas.

Entre os setores que serão beneficiados estão agricultura, energias renováveis, mineração, petróleo e gás, aeroespacial, inteligência artificial e ciências humanas.

De acordo com o Planalto, atualmente o Brasil mantém 235 acordos de cooperação com instituições de ensino superior de 38 países africanos.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados