Economia
Pernambuco registra alto número de empresas com dívidas e alerta para gestão financeira
Pernambuco atualmente possui cerca de 212,1 mil empresas com dívidas em atraso, o que corresponde a mais de 30% dos CNPJs ativos no estado. Segundo dados da Serasa Experian, Pernambuco é a segunda colocada no Nordeste em número de empresas inadimplentes, ficando atrás apenas da Bahia, que possui 326,2 mil empresas com pendências financeiras.
Esse cenário revela um ambiente econômico desafiador, caracterizado por juros elevados, restrição de crédito e dificuldades financeiras, especialmente para micro e pequenas empresas. O montante total das dívidas das empresas pernambucanas atingiu R$ 3,38 bilhões em abril deste ano, com uma dívida média de R$ 15,94 mil por empresa.
No âmbito nacional, a inadimplência empresarial atingiu níveis recordes, com aproximadamente 9 milhões de empresas negativadas e dívidas totais de R$ 220,9 bilhões.
João de Melo Bandeira, advogado especialista em Direito Bancário e Empresarial, destaca que um erro comum dos empresários em dificuldades financeiras é buscar crédito sem avaliar detalhadamente as condições da contratação.
“É frequente observar empresas em crise financeira contraírem crédito sem considerar o custo real da operação, garantias, prazos, taxas de juros, aval dos sócios e garantias bancárias. Quando o crédito deixa de ser um instrumento de crescimento e passa a cobrir déficits de caixa, o risco de colapso aumenta significativamente”, alerta.
Endividamento
O especialista ressalta que a falência geralmente é um processo gradual, agravado por decisões financeiras sem planejamento adequado. Entre os erros comuns está a renegociação passiva de dívidas e a contratação de empréstimos para pagar débitos antigos.
“Muitas vezes, as empresas comprometem grande parte do faturamento com juros, parcelas e encargos”, comenta Bandeira.
Dados da Serasa Experian indicam que cerca de 20% das dívidas empresariais são com instituições financeiras, evidenciando o peso do endividamento bancário.
Gestão e Controle
Para evitar que o crédito se torne um problema maior, João de Melo Bandeira recomenda uma gestão financeira rigorosa, com atenção especial ao fluxo de caixa e à separação entre finanças pessoais e empresariais.
Ele alerta para a necessidade de evitar retiradas incompatíveis com a capacidade do negócio e reduzir a dependência de linhas de crédito de curto prazo, como cheque especial empresarial, conta garantida e antecipação de recebíveis.
“Algumas empresas têm faturamento alto, mas trabalham com margens apertadas e alto comprometimento financeiro. Sem bons dados, a tomada de decisões fica comprometida”, explica.
Recuperação
Quando o endividamento alcança níveis críticos, o primeiro passo é fazer um diagnóstico detalhado da situação financeira, incluindo volume das dívidas, credores, garantias e contratos mais onerosos.
Em certos casos, a recuperação judicial pode ser uma alternativa para preservar a atividade e reorganizar as finanças da empresa. Dados da Serasa apontam que cerca de 2,5 mil empresas brasileiras estavam em recuperação judicial no último ano, especialmente nos setores de Agropecuária e Serviços.
João de Melo Bandeira ressalta que a recuperação judicial não deve ser vista como um fracasso, mas sim como um recurso legal para a reorganização financeira de empresas viáveis, preservando empregos e atividades produtivas.
Especialistas concordam que planejar as finanças, controlar custos e analisar o crédito criteriosamente são as melhores estratégias para evitar que dificuldades temporárias agravem-se e comprometam a sobrevivência das empresas.


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