Mundo
Final conturbado da visita do papa, que retorna a Roma no avião do rei da Espanha
A viagem do papa Leão XIV à Espanha terminou de forma tumultuada nesta sexta-feira (12). O avião no qual ele havia se preparado para partir da ilha de Tenerife enfrentou um problema técnico, forçando um atraso e, consequentemente, a sua volta a Roma a bordo do Falcon do rei Felipe VI.
O avião da Iberia já estava na pista do aeroporto de Tenerife Norte, local onde o papa foi despedido pelo rei, quando o piloto comunicou a falha no motor, obrigando Leão XIV a sair da aeronave e voltar ao terminal.
No final, o pontífice embarcou no avião oficial do chefe de Estado espanhol, que foi gentilmente cedido pelo governo, conforme informou o Vaticano, e decolou com parte de sua comitiva rumo a Roma, devendo chegar por volta das 21h00 GMT (18h00 de Brasília).
O restante da delegação — incluindo jornalistas, representantes do Vaticano e membros do clero — seguirá em um segundo voo enviado pela Iberia, partindo de Madri.
Este incidente marcou o encerramento da visita de Leão XIV, que durante sete dias percorreu Madri, Barcelona e as Ilhas Canárias, acompanhado por multidões, em um país tradicionalmente católico, onde a prática religiosa tem declinado nas últimas décadas.
Encontro com vítimas de abusos
Entre os momentos mais relevantes da viagem estão a missa realizada no domingo no centro de Madri, que reuniu 1,5 milhão de fiéis, e a bênção da Torre de Jesus Cristo, recém-finalizada na Basílica da Sagrada Família, tornando-se a igreja mais alta do mundo.
Esta foi a quarta viagem internacional de Leão XIV desde sua eleição em maio de 2025 e a primeira vez que um pontífice visita a Espanha desde Bento XVI, em 2011.
Durante sua passagem por Madri, o papa, que domina o espanhol após os anos que viveu no Peru, anunciou reformas para tornar a Igreja Católica mais segura, em uma reunião com vítimas de abusos sexuais cometidos por religiosos.
A última etapa da viagem o levou às ilhas Gran Canaria, na quinta-feira, e Tenerife, nessa sexta-feira, onde ressaltou que “todos, de certa forma, somos migrantes”, expressando seu apoio a esse grupo.
Esse tema é de extrema importância para Leão XIV, assim como foi para seu predecessor Francisco, em um momento em que as políticas migratórias na Europa se tornam mais restritivas, apesar da Espanha se destacar por políticas mais acolhedoras.
No início da semana, no porto de Porto de Arguineguín, o papa lançou um ramo de flores ao mar em homenagem aos milhares de pessoas que perderam a vida na perigosa rota atlântica em direção às Canárias, uma das principais portas de entrada para imigrantes na Europa.
Aproximadamente 1.200 pessoas morreram ou desapareceram nessa rota no ano passado, conforme dados da Organização Internacional para as Migrações.
Promoção da integração
Leão XIV enfatizou que “somos todos peregrinos em direção à pátria celestial” e pediu para que façamos desse percurso um caminho mais humano, contribuindo com o que estiver ao nosso alcance. Ele se reuniu com associações religiosas e civis que auxiliam os recém-chegados em Tenerife.
O papa também apelou para a integração dos imigrantes, incentivando-os a aprender a língua local, respeitar as leis e compreender os costumes do país de acolhida, enquanto lembrava às sociedades receptoras seus deveres, especialmente o de acolher e fazer com que os novos membros sintam-se parte ativa da comunidade.
Aliu Ceesay, um jovem de 16 anos que chegou da Gâmbia há um mês e se aproximou para ver o papa em San Cristóbal de La Laguna, elogiou a postura do pontífice, afirmando que para ele não importa cor, religião ou origem, pois deseja ajudar a todos.
Como ato final antes de sua saída, Leão XIV realizou uma missa diante de 40 mil fiéis no porto de Porto de Santa Cruz de Tenerife, seguida de uma despedida oficial com a presença do rei Felipe VI.


Você precisa estar logado para postar um comentário Login