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Michelle usa estrutura do PL na disputa com Flávio pelo legado de Bolsonaro
Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, deu um passo significativo em sua trajetória política ao tornar pública a disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Essa disputa está relacionada ao controle e à influência dentro do partido, com o interesse em formar uma bancada forte de aliados. Para isso, Michelle conta com o apoio do PL Mulher, estrutura que ela tem ampliado e que tem crescido em importância nas decisões partidárias.
No vídeo de 27 minutos divulgado na última quarta-feira, gravado na sala da presidência do PL Mulher em Brasília, ela destacou sua atuação, fazendo críticas a Flávio, mas também apresentando uma prestação de contas de sua gestão. Apesar de parecer um desabafo pessoal, o conteúdo revela seu empenho e influência no partido.
Michelle relatou sua atuação em todo o país, organizando diretórios nas 27 unidades da federação e ajudando a eleger 1.005 mulheres nas eleições municipais de 2024, um aumento de quase 46% em comparação ao pleito anterior.
Ela mencionou Jair Bolsonaro mais de 30 vezes no vídeo, referindo-se a ele como “meu marido” e afirmando que compartilha as decisões políticas principais com ele. Isso reforça a ligação direta com o ex-presidente em um momento em que diferentes grupos disputam sua herança política. Pessoas próximas afirmam que Jair Bolsonaro estava ciente da gravação.
Focos de interesse
Os principais interesses de Michelle nas eleições estão concentrados em três possíveis candidatas ao Senado: as deputadas Priscila Costa (PL-CE), que é vice-presidente nacional do PL Mulher, e as parlamentares Caroline de Toni (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF).
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) destacou o trabalho de Michelle, ressaltando que ela não apenas organizou eventos, mas também promoveu treinamentos efetivos para as mulheres do partido.
A estrutura de PL Mulher sob a liderança de Michelle é um movimento dedicado à formação política de mulheres com valores conservadores, reunindo cerca de 5.200 participantes por todo o Brasil. O movimento oferece aulas, distribui material educativo e promove programas de formação política contínua. Em 2024, lançou ainda uma campanha para incentivar as mulheres a atuar como fiscais e mesárias nas eleições.
O crescimento da ala feminina do PL foi acompanhado por aumento dos recursos financeiros. Neste ano, o PL Mulher recebeu R$ 16,2 milhões da direção nacional do PL, valor significativamente maior que o destinado pelo PT ao seu núcleo feminino. Embora Michelle não manuseie diretamente esses recursos, ela define as prioridades orçamentárias, como cursos, viagens e eventos, ficando a execução financeira a cargo da direção nacional.
Michelle assumiu a presidência do PL Mulher em 2023, mas seu trabalho no partido começou na campanha presidencial de 2022 e se intensificou nos anos seguintes, gerando alguns conflitos internos. Um exemplo disso é a disputa no Ceará, onde Michelle defende a candidatura de Priscila Costa ao Senado, enquanto Flávio Bolsonaro e outros líderes do partido articulam apoios diferentes, como a composição entre o deputado Alcides Fernandes e o pré-candidato do PSDB, Ciro Gomes.
Aliados afirmam que a presença política de Michelle tem alterado o equilíbrio dentro do bolsonarismo, criando um novo polo de influência que compete com o grupo formado pelos filhos do ex-presidente.
Para o ex-ministro da Saúde e pré-candidato ao Senado pelo PL na Paraíba, Marcelo Queiroga, Michelle tem papel importante, mas é evidente que a principal liderança política permanece sendo Jair Bolsonaro.

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