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Comunidade cabo-verdiana do Recife mostra torcida vibrante apesar da derrota

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Entre as muitas conexões que Cabo Verde e Brasil compartilham, destaca-se mais uma: a paixão intensa pela rivalidade contra a Argentina. Na sexta-feira (3), um grupo de cabo-verdianos se reuniu em um bar na Madalena, zona norte do Recife, para assistir à partida histórica contra a Argentina de Messi, atual campeã.

Os Tubarões Azuis, apesar de nunca terem disputado uma Copa do Mundo, fizeram uma estreia memorável. A derrota por 3 a 2 na prorrogação não diminuiu o orgulho da equipe estreante, que se tornou a campeã moral do confronto. “Desde o momento em que se classificou, Cabo Verde já era vencedor. A campanha com sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota assegurou esse feito. Ninguém esperava que chegassem tão longe, mas conseguiram”, afirmou a professora universitária Sônia Fonseca, natural de Cabo Verde.

Sônia Fonseca, economista, destaca as dificuldades enfrentadas pela seleção africana: “Cabo Verde tem 500 mil habitantes, com maioria feminina, o que reduz as chances de encontrar um craque de futebol. Contudo, a diáspora, que é três vezes maior que a população local, contribuiu para esse sucesso. Cabo Verde provou que determinação é mais valiosa que dinheiro”, disse ela emocionada, brincando: “Eu gostava do Messi, mas agora não mais.”

O casal formado pelo engenheiro de qualidade Edymir Semedo e a fonoaudióloga Suelene Reis deixou Cabo Verde há mais de dez anos e se conheceu no Recife. “Era para ser assim”, gostam de dizer. O pai de Edymir participou da delegação da seleção, e ele torce pelos Tubarões Azuis desde a infância. “Sonhávamos em ir à Copa da África, o que aconteceu em 2013. Treze anos depois, chegaram à Copa do Mundo. É uma evolução significativa. Eles representam um povo trabalhador e resiliente”, contou.

A torcida reunida na Madalena proporcionou um espetáculo vibrante, cantando e vibrando sem cessar. O empresário Diogenes Braga, que passava pelo local, não resistiu e parou para acompanhar a festa. “Não havia mesas, então fiquei na mureta torcendo junto. A emoção e a alegria da torcida são incríveis. Este é o verdadeiro espírito do futebol. Essa seleção conquistou muito carinho nesta competição. Depois desse jogo, só a Argentina deve torcer pela Argentina”, afirmou.

A presença cabo-verdiana em Pernambuco

Sônia Fonseca, Edymir Semedo e Suelene Reis representam um grupo crescente de cabo-verdianos que chegam a Recife principalmente para formação acadêmica. O professor Euclides Cabral, que vive na cidade há 30 anos, construiu uma rede de apoio entre os compatriotas. “Somos unidos e mantemos contato pelo WhatsApp. Os mais velhos acolhem os recém-chegados para preservar nossa cultura e tradição”, relata Euclides, que estudou pelo Programa de Estudantes-Convênio de Graduação.

A conexão histórica entre Cabo Verde e a região dos altos coqueiros remonta ao século XVII. Vitória de Santo Antão simboliza esse vínculo, sendo considerada a cidade mais cabo-verdiana fora do arquipélago, segundo a historiadora e vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vitória de Santo Antão (IHGVSA), Claudia Vicente.

Junto com o professor Marcos Galindo, diretor da Agência de Inovação, Tecnologia e Ciência de Vitória de Santo Antão, ela explica que os portugueses recrutavam cabo-verdianos para explorar o pau-brasil na região. A família Braga, liderada por Diogo de Braga e seus filhos, originária de Cabo Verde, estabeleceu-se próximo ao litoral em uma área chamada Mata do Brasil, nome associado à abundância dessa madeira.

O nome da cidade homenageia a Ilha de Santo Antão, uma das ilhas de Cabo Verde. Desde então, Vitória de Santo Antão mantém tradições culturais dos colonizadores, como a devoção a Santo Antão, que perdura por mais de 400 anos.

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