Centro-Oeste
Dívidas diminuem no DF, mas inadimplência segue alta
As famílias do Distrito Federal enfrentam desafios financeiros, pois a taxa de inadimplência está acima da média do país. O problema não está no acesso ao crédito, mas na dificuldade de pagar as dívidas. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor do Distrito Federal (Peic-DF), feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), revela que metade das famílias endividadas no DF tem contas atrasadas, contra 29,9% na média nacional.
Além disso, 20,4% das famílias do DF afirmam que não conseguirão pagar suas dívidas no próximo mês, enquanto a média nacional é 12,2%. Isso representa cerca de 216 mil famílias com dificuldades financeiras reais.
O índice de endividamento em junho foi de 79,7%, praticamente estável em relação a maio (79,6%), e inferior à média nacional de 81,6%. No entanto, houve um aumento no endividamento em comparação com o ano anterior.
Independentemente da renda, muitas famílias não conseguem concluir o mês com o salário que recebem. A professora e pesquisadora em economia da PUC-SP, Cristina Helena Pinto de Mello, explica que o acesso ao crédito, combinado com o aumento dos preços, cria um cenário difícil para as famílias. Segundo ela, a renda alta facilita o crédito, mas com juros elevados e preços variáveis, qualquer problema pode impedir o pagamento das dívidas, que crescem rapidamente.
Contas atrasadas
Em junho de 2025, 72,0% das famílias do DF tinham algum tipo de dívida; um ano depois, esse número subiu para 79,7%, atingindo 841.845 famílias. Destas, 14,8% se consideram muito endividadas, 29,1% um pouco endividadas, e 35,7% com dívidas leves.
Cristina Helena Pinto de Mello sugere mudanças no planejamento financeiro para melhorar a situação. Ela destaca que algumas despesas podem ser renegociadas, como serviços contratados e faturas de cartão de crédito, para evitar gastos desnecessários.
A renegociação de dívidas deve ser feita com cuidado, entendendo prazos e juros para não trocar uma dívida pequena por uma maior. Cristina Helena Pinto de Mello alerta para ofertas que podem parecer soluções, mas na verdade colocam o patrimônio em risco, como usar o carro como garantia para um empréstimo maior.
Acesso ao crédito
O cartão de crédito é a principal causa do endividamento, presente em 83,1% das famílias com dificuldades financeiras no DF. Outros motivos são crédito pessoal (14,3%), carnês (14,0%), financiamento de veículos (12,9%) e financiamento imobiliário (9,6%). O uso frequente do crédito rotativo mostra que muitas famílias dependem de empréstimos caros para manter o consumo.
Cristina Helena Pinto de Mello chama atenção para o uso consciente do cartão de crédito. Ela recomenda que, ao usar o cartão, a pessoa tire o dinheiro correspondente da conta e guarde separadamente para pagar a fatura no mês seguinte, evitando dívidas acumuladas.
Outro ponto importante é a persistência das dívidas: 50,2% das famílias inadimplentes têm contas atrasadas há mais de 90 dias, com um comprometimento médio de 8,1 meses, acima da média nacional de 7,2 meses. Esses dados indicam que a situação financeira das famílias tem se deteriorado de forma contínua, dificultando a recuperação do consumo nos próximos meses.

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