Economia
Setores que escaparam da nova tarifa dos EUA
Uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros começará a valer nos EUA no dia 22, mas existe um extenso grupo de exceções que inclui 2.100 itens. Produtos como carne e suco de laranja, que já estavam fora da sobretaxa no ano passado, mantêm a isenção, e outros, como café solúvel e mel orgânico, também foram excluídos.
De acordo com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), a tarifa afetará mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e agronegócio brasileiros. Contudo, estudiosos como o economista João Carmo, da 4Intelligence, e José Pio Borges, presidente do Conselho Curador do Cebri, apontam que 62% das exportações brasileiras para os EUA permanecem livres da taxa.
Essa ampliação das isenções foi possível após audiências em Washington, onde foram apresentados argumentos contrários à medida proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).
Segundo o USTR, as exceções incluem matérias-primas cuja falta prejudicaria o mercado americano, produtos que poderiam gerar rupturas econômicas, aqueles que não são produzidos em quantidade suficiente nos EUA e itens cuja taxação não impactaria práticas brasileiras investigadas.
Defesa de setores específicos
O café solúvel foi um destaque importante. Representando quase 10% das exportações brasileiras de café para os EUA, ele conseguiu permanecer isento da tarifa, gerando um grande alívio para a indústria. Aguinaldo Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), ressalta que a tarifa de 25% seria bastante prejudicial e poderia comprometer esse mercado prioritário.
Junto com o México, o Brasil satisfaz quase 60% da demanda americana por café solúvel, que é embalado nos EUA para distribuição final. O apoio da National Coffee Association (NCA), entidade americana do setor, foi crucial para a manutenção da isenção.
O mel orgânico, outro produto importante, também escapou da tarifa. A ausência de alternativas para os importadores americanos foi um argumento determinante para manter a isenção, como destaca Renato Azevedo, representante da cadeia exportadora do mel (Abemel). O Brasil é o maior fornecedor mundial de mel orgânico, com exportações anuais de US$ 75 milhões para os EUA.
Setores prejudicados
Apesar das exceções, indústrias como calçados, roupas, máquinas, etanol e parte da indústria florestal foram atingidas pela tarifa, prevendo-se perdas de competitividade, queda nas exportações e riscos para empregos e investimentos.
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) destacou que essa medida gera insegurança no comércio internacional e impactos negativos na cadeia produtiva. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) estima uma diminuição de 7,1% nas vendas aos EUA até o fim do ano, conforme seu presidente-executivo, Haroldo Ferreira.
A Abimaq, que representa fabricantes de máquinas e equipamentos, alerta para comprometimento de investimentos e eficiência das cadeias produtivas, já que os EUA são o principal mercado do setor, com exportações que somaram US$ 3,2 bilhões no ano anterior.
A indústria de árvores cultivadas, representada pela Ibá, manifesta preocupação com a tarifa aplicada a produtos como celulose solúvel, papéis, painéis de madeira, MDF, MDP e pisos laminados, ressaltando a importância do diálogo para minimizar os impactos. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) lamenta a decisão, lembrando que a queda nas exportações americanas ao Brasil se deve ao aumento da produção local, em especial do etanol de milho, e defende negociações baseadas no respeito às regras comerciais internacionais.

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