Economia
Fraudes financeiras aumentam 10% com novas normas do BC
De acordo com um estudo da Quod, empresa especializada em inteligência de dados para o setor de crédito, o crescimento nas fraudes financeiras está ligado ao aprimoramento dos sistemas de detecção, estimulados pela Resolução 501 do Banco Central (BC), que fortaleceu o intercâmbio de informações entre bancos para enfrentar golpes.
Conforme os parâmetros da Quod, os dados consideram tanto suspeitas quanto confirmações de fraudes.
Sistema colaborativo
A análise foi feita a partir do Registro Unificado de Fraudes (Rufra), uma base conjunta criada pela Quod para agregar dados sobre fraudes fornecidos por bancos e empresas. O sistema consolida informações de segurança para reconhecer estratégias dos criminosos, monitorar vítimas e fraudadores, além de possibilitar o bloqueio antecipado de ações suspeitas.
Além de auxiliar na prevenção aos golpes, o Rufra cumpre as exigências da Resolução 501 do BC, que intensificou o compartilhamento de dados entre as instituições financeiras. Assim, fraudes antes não registradas passaram a integrar uma única base de inteligência, ampliando a capacidade de identificação do sistema financeiro.
Principais números
- Mais de 9 milhões de indicações de fraudes no primeiro semestre de 2026;
- Aumento de 10,26% em relação ao segundo semestre de 2025;
- 78% das fraudes aconteceram via celulares;
- 94% envolveram contas correntes;
- 85% usaram o Pix para movimentação dos valores;
- 40% dos casos originaram-se em golpes de engenharia social;
- 3,1 milhões de pessoas foram vítimas no período;
- Cerca de 799 mil vítimas sofreram golpes repetidos.
Novas normas
Para a Quod, o aumento nos registros não indica somente o crescimento dos crimes, mas também a evolução da capacidade de vigilância do setor financeiro.
Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod, destaca: ‘O acréscimo de 10% no volume de fraudes em comparação ao semestre anterior representa o aperfeiçoamento das defesas do mercado financeiro. Com a consolidação da Resolução 501 do Banco Central, as instituições compartilham informações de maneira mais proativa via base Rufra, detectando e evidenciando tentativas de golpes previamente subnotificadas.’
Celular e Pix
O meio digital continua a ser o principal foco das fraudes financeiras no Brasil.
Celulares foram usados em 78% dos casos detectados, configurando o principal canal explorado pelos criminosos. Contas correntes estiveram envolvidas em 94% dos registros, enquanto o Pix foi o método de pagamento escolhido em 85% das fraudes.
Golpes psicológicos
A engenharia social permanece como a tática mais empregada pelos fraudadores.
Esta técnica, que consiste na manipulação psicológica das vítimas para obter dados ou convencê-las a realizar transferências, corresponde a 40% das ocorrências, totalizando mais de 3,6 milhões de casos no semestre.
Perfil das vítimas
Os jovens são os principais alvos das fraudes financeiras segundo os dados.
Pessoas entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas. A faixa etária de 35 a 49 anos corresponde a 29,98% dos casos. Homens figuram em 51% dos registros, enquanto mulheres somam 48%. A maior parte das vítimas (58%) recebe até dois salários mínimos.
Também foi identificado um elevado índice de reincidência: das 3,1 milhões de vítimas no semestre, cerca de 799 mil sofreram golpes duas vezes ou mais.
Prevenção
A Quod aconselha os consumidores a redobrarem os cuidados nas transações financeiras, especialmente via celular.
Danilo Coelho recomenda: ‘Evite decisões financeiras impulsivas durante o expediente de trabalho, quando os fraudadores aproveitam a distração. Não clique em links suspeitos e não empreste sua conta para terceiros, pois isso o torna cúmplice e vulnerável a esquemas de contas laranja.’
A Quod é uma empresa que desenvolve soluções com base em inteligência artificial e análise de dados para auxiliar bancos e companhias em decisões de crédito, prevenção de fraudes e recuperação.

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