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Refugiados em Ciudad Carpita após terremotos na Venezuela

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Bem-vindos a Ciudad Carpita, anuncia uma placa na entrada do acampamento improvisado para os desalojados após os terremotos ocorridos no estado de La Guaira no mês passado.

Resignadas diante de uma longa espera, as famílias começam a se organizar em barracas nesse abrigo temporário em La Guaira, epicentro dos abalos sísmicos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela, resultando em 5.069 mortes.

“Precisamos continuar, agradecendo por termos uma nova chance”, declara à AFP Hengelbert Bello, 38 anos, que perdeu vários parentes. “Com foco no futuro e mente clara, podemos seguir em frente e ajudar os que permanecem”, assegura.

Antes, ele vivia com sua família no Gran Cacique Mare Abajo, um conjunto de 1.000 apartamentos construído durante o governo de Hugo Chávez (1999-2013), destruído pelos tremores.

Agora, mudou-se para a praia em frente, junto com seus vizinhos. Nos entrefileirados de barracas, essas pessoas tentam manter as tarefas domésticas ao ar livre, enquanto duas crianças aproveitam o mar.

Compartilham geladeiras e preparam alimentos em panelas grandes com botijões de gás em cozinhas coletivas. Também alugam máquinas de lavar portáteis por 5 dólares (25 reais).

“Diante do que estamos enfrentando, é fundamental manter o ambiente limpo e organizado. Se Deus nos deu mais uma chance, devemos seguir adiante”, afirma Eunice Hernández, 45 anos, mãe de dois adolescentes.

Os aparelhos elétricos funcionam graças a um cabo conectado a um poste de iluminação pública, embora haja frequentes quedas de energia. As autoridades enviam diariamente caminhões-pipa para abastecer os tanques portáteis dos moradores.

Mais de 21.000 pessoas afetadas pelos tremores vivem em acampamentos em Caracas e La Guaira, segundo dados oficiais. Muitos enfrentam falta de água e sanitários suficientes.

Médicos trabalhando em hospitais de campanha tentam evitar a propagação de doenças respiratórias e intestinais.

Pelo menos 185 construções ruíram em La Guaira e cerca de 900 foram danificadas, conforme informações oficiais. Muitos prédios onde esses deslocados viviam racharam ao meio e se moveram vários centímetros.

“Cada vez que volto aqui sinto muita tristeza, ninguém deveria passar por isso”, disse chorando o barbeiro Ramón González, 42 anos, ao mostrar as condições da torre onde morava.

No dia dos tremores, uma jovem que iria celebrar seus 15 anos faleceu. “Sinto minha dor como se fosse minha filha… Muitos sonhos desmoronaram aqui”, acrescentou.

González lamenta ter perdido seu lar onde vivia com a esposa e quatro filhos. Agora dividem o abrigo com dois idosos sem família. “Já superamos muitas dificuldades”, afirmou. “Esperarei o tempo necessário para reconstruir minha casa”.

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