Economia
Mercado internacional impulsiona Ibovespa em dia de decisão do Copom
O avanço das bolsas nos mercados internacionais e o aumento no preço do minério de ferro beneficiam o Ibovespa nesta quarta-feira, 5, data marcada pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). No cenário nacional, o foco também está nos balanços financeiros de empresas como Itaú, Gerdau e C&A, além de pesquisas relacionadas à corrida presidencial. O Bradesco divulga seus resultados trimestrais após o fechamento da B3.
No exterior, cresce a expectativa sobre um possível acordo entre Estados Unidos e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, importante passagem para cerca de um quinto do petróleo mundial. Paralelamente, investidores analisam o relatório ADP, que indicou a criação de 44 mil empregos no setor privado norte-americano em junho, número inferior à mediana das previsões que era de 75 mil. Esse dado ganha destaque para ajustar as expectativas para o payroll de sexta-feira e para as futuras decisões do Federal Reserve (Fed).
Na terça-feira, o Ibovespa encerrou praticamente estável (+0,06%), aos 177.894,97 pontos, mesmo com a alta nos índices de Wall Street. No Brasil, o desempenho foi impactado principalmente pela queda nas ações da Petrobras, associada ao recuo do preço do petróleo, que chegou a ficar abaixo dos US$ 80 por barril. Hoje, a commodity voltou a subir, com o Brent alcançando uma máxima de US$ 80,95, uma alta aproximada de 1%. Por volta das 11h, subia 0,19%, cotado a US$ 79,52.
“O índice acompanha bem o cenário externo. Ontem foi assim até certo momento, mas depois houve realização de lucro. Precisamos observar o que ocorrerá à tarde”, comenta Pedro Moreira, da One. Diferente do dia anterior, hoje o mercado enfrenta algumas incertezas, principalmente devido à reunião do Copom. “Um corte na Selic já é esperado, mas o foco está no comunicado que acompanha a decisão, que pode reforçar a expectativa de juros em 13,75% no fim do ano, conforme o boletim Focus”, acrescenta Moreira.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou recentemente que um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz pode ser fechado ainda hoje. O presidente americano, Donald Trump, declarou que o acordo pode ser concluído entre quarta e quinta-feira. Irã e Omã, países que compartilham a rota marítima, estão avançando nas negociações para normalizar o tráfego na região.
No Brasil, os recentes levantamentos realizados pela Genial/Quaest e Meio/Ideia indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a disputa eleitoral em um possível segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos continua em evidência. Além disso, Flávio Bolsonaro deve anunciar hoje o nome que integrará sua chapa para a eleição presidencial.
Entre os resultados corporativos, o Itaú apresentou um lucro líquido gerencial de R$ 12,4 bilhões, aumento de 7,8% e conforme as expectativas do mercado. A Gerdau registrou um crescimento anual de 69,7% em seu lucro. Também divulgaram resultados as empresas Klabin, GPA, Prio e Tenda.
Quanto ao Copom, espera-se um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 14,25%. A principal atenção está no comunicado que acompanhará a decisão, pois pode indicar os próximos rumos da política monetária. “O futuro ainda é incerto, especialmente no longo prazo”, destaca Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil, em comentário matinal.
Por volta das 11h09, o Ibovespa subiu 1,23%, atingindo 180.083,06 pontos, sua máxima do dia, após abrir aos 177.896,23 pontos, sem variação inicial. A Vale teve alta de 0,34%. O setor bancário também avançava, com o Itaú crescendo 2,73%. Em contrapartida, a Petrobras registrava queda entre 0,28% (PN) e 0,75% (ON).

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