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Canadá reage às tarifas de Trump
O Canadá vai divulgar hoje sua resposta às novas tarifas implementadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificando a disputa comercial entre os dois países vizinhos.
O governo do Canadá informou que ministros e altos funcionários farão uma coletiva em Ottawa para detalhar as medidas de defesa ao impacto das tarifas.
Um comunicado divulgado na segunda-feira à noite declarou que serão anunciadas ações para proteger trabalhadores e empresas canadenses durante esse período difícil.
Após o fracasso nas negociações para evitar a imposição das tarifas de 50% sobre vários produtos canadenses, os Estados Unidos aplicaram as tarifas no final de semana. Essas tarifas incidem sobre produtos avaliados em cerca de 20 bilhões de dólares canadenses, representando 5,5% das exportações do país para os EUA.
Donald Trump informou que pretende dobrar as tarifas sobre produtos do setor automotivo canadense a partir de 2027, numa escalada da tensão comercial.
Atualmente, as tarifas automotivas são de 25% para veículos que não contenham componentes americanos, enquanto o aço importado do Canadá tem tarifas de 50%.
Mark Carney, primeiro-ministro canadense, afirmou que seu país responderá com tarifas retaliatórias e rejeitou o chamado “acordo ruim” apresentado pelos EUA.
Carney ressaltou que as negociações tinham como objetivo garantir o melhor acordo para os canadenses, não um acordo a qualquer custo, e criticou as condições injustas impostas que poderiam prejudicar indústrias chave do Canadá.
Ele ainda destacou que, apesar do progresso em buscar um acordo, a proposta americana reverteu esse impulso no final, e que a diversificação de parcerias comerciais, especialmente na Ásia e com a União Europeia, é prioridade para o Canadá.
No fim de semana, Carney também mencionou que os EUA tentaram impor restrições aos acordos comerciais canadenses com outros países e fizeram ameaças quanto à preservação da língua francesa e da cultura da província de Quebec.
O vice-presidente americano, JD Vance, culpou o fracasso do acordo por supostas exigências irracionais do lado canadense.
A economia canadense já sofre com o impacto das tarifas nos setores de aço e automóveis, setores importantes para o país, sendo que os Estados Unidos são o principal parceiro comercial do Canadá.
Uma pesquisa do Angus Reid Institute indicou que a maioria dos canadenses apoia a decisão do governo de abandonar as negociações, embora muitos estejam preocupados com seus empregos.
Doug Ford, primeiro-ministro da província de Ontário, criticou as ameaças de tarifas adicionais e afirmou que irá combater essa postura agressiva.
Donald Trump respondeu às críticas via redes sociais, alertando que as consequências para o Canadá podem ser severas caso não se adequem.
Os Estados Unidos justificam as tarifas afirmando que o Canadá oferece tratamento discriminatório a importações americanas em setores como bebidas, automóveis, produtos lácteos, papel e agricultura.
Apesar dos esforços para negociar uma solução, lideranças dos dois países não chegaram a um acordo.
Donald Trump criticou o Canadá, afirmando que o país se aproveita dos EUA há muitos anos, e declarou que a relação comercial é mais necessária para o Canadá do que para os Estados Unidos.
Além disso, continuam as negociações sobre as revisões do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC), que também envolve o México, mas o presidente americano se mostrou resistente a renovar o acordo.
As provocações de Donald Trump sugerindo que o Canadá poderia ser o 51º estado dos EUA causaram irritação entre muitos canadenses, que veem a tentativa como uma afronta à soberania e identidade cultural do país.

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