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Beirute pede que Irã pare de interferir no Líbano
As autoridades do Líbano fizeram um apelo nesta sexta-feira (5) para que o Irã cesse sua influência nos assuntos internos do país, em meio a uma escalada de confrontos entre Israel e o grupo libanês apoiado pelo Irã, Hezbollah, após o fracasso de um acordo de trégua antes mesmo de ser implementado.
O conflito no Líbano teve início em 2 de março, no contexto da guerra no Oriente Médio, desencadeada pelos ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã em 28 de fevereiro, quando o Hezbollah retaliou atacando Israel em solidariedade à morte do líder supremo iraniano.
Joseph Aoun, presidente do Líbano, declarou: “Este não é o território deles, é nosso (…) Não há motivo para interferência em nosso país”. Ele também pediu ao Hezbollah que opte pelo diálogo diplomático e solicitou uma demonstração de disposição por parte de Israel para encerrar o conflito, questionando: “Estamos prontos (…) e vocês?”
Nawaf Salam, primeiro-ministro libanês, também pediu ao Irã que não utilize o Líbano como ferramenta nas negociações com os EUA para resolver o conflito no Oriente Médio, afirmando que o povo libanês recusa ser usado como canal de mensagens ou campo de batalha para guerras de terceiros.
O Irã, por sua vez, condiciona qualquer acordo com Washington ao fim das hostilidades na fronteira libanesa e à retirada das forças israelenses.
Nabih Berri, presidente do Parlamento e mediador com o Hezbollah, sugeriu que o grupo xiita poderia deixar o sul do Líbano caso Israel se retire e se estabeleça uma trégua total e sem condições.
Nas regiões afetadas, ataques israelenses causaram a morte de cinco pessoas no distrito de Nabatiyeh, incluindo uma mulher e um paramédico, conforme informações do Ministério da Saúde libanês. Outro ataque ocorreu em Tiro, onde bombardeios atingiram um hospital, deixando sete mortos.
Marwan Ghorayeb, um aposentado das forças de segurança, relatou à AFP a destruição de sua casa na aldeia e em Tiro, afirmando que não restou nada além dos pertences pessoais.
Embora o Hezbollah tenha reivindicado ataques contra tropas israelenses no sul do país, não há relatos de ataques ao norte de Israel. Entretanto, sirenes de alarme soaram em localidades israelenses do norte após disparos terra-ar contra um avião militar em operação próxima ao sul do Líbano, sem danos ao equipamento.
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou que a segurança para o norte de Israel depende da segurança para as aldeias do sul do Líbano, indicando que o cessar-fogo vigente mantém as operações em curso.
Para enfrentar as consequências do conflito, a ONU aumentou seu apelo por doações, solicitando cerca de 640 milhões de dólares (aproximadamente 3,2 bilhões de reais).
Desde o início da guerra, os bombardeios israelenses no Líbano causaram mais de 3.560 mortes, com um aumento de mais de 30 vítimas nas últimas 24 horas, segundo autoridades libanesas. Pelo lado israelense, o conflito resultou na morte de 27 soldados e um contratado civil.


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