Economia
Companhias aéreas debatem futuro no Rio em meio a desafios
Companhias aéreas de diversos países participarão de um congresso no Rio de Janeiro neste sábado (6), com o objetivo de discutir preocupações referentes ao futuro próximo, afetado pelo alto custo do combustível, instabilidades geopolíticas e o receio dos passageiros em viajar.
A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) reunirá 370 empresas, que correspondem a 85% do tráfego global, durante três dias de evento. Este encontro acontece em um momento delicado para o setor.
Até 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel realizaram um ataque conjunto contra o Irã, o setor aéreo apresentava crescimento consistente desde a fase pós-pandemia.
Entretanto, a guerra provocou impactos significativos no segmento. Países do Golfo tiveram que suspender suas exportações de petróleo bruto e querosene, levando suas companhias aéreas a reduzirem drasticamente os planos de voos.
Outras empresas também enfrentam desafios. Os elevados preços dos combustíveis resultarão na diminuição de destinos e frequências em rotas previstas para o verão no hemisfério norte.
Demanda em queda
“Os dados dos horários programados indicam uma redução da oferta nos meses que vêm, mostrando que as companhias aéreas buscam equilibrar os custos elevados do combustível com a demanda menor”, declarou no fim de maio o diretor-geral da Iata, Willie Walsh.
Nesse período, a organização revelou que, pela primeira vez desde o fim da pandemia de covid-19, a procura por viagens aéreas diminuiu em abril comparado ao ano anterior (-3,4%, após alta de 2,1% em março).
De acordo com a consultoria de análise do transporte aéreo Cirium, a desaceleração alcança diversas regiões, incluindo a Europa Ocidental.
No início de abril, Walsh mostrou otimismo quanto à capacidade das empresas de superarem os desafios atuais.
“Em 2011, 2012 e 2013, o preço do querosene ultrapassava 130 dólares por barril e o setor ainda gerava lucro”, ressaltou.
Atualmente, o barril de combustível está cotado em torno de 142 dólares (equivalente a 716 reais, conforme a cotação atual).
A Iata apresentará suas previsões anuais no Rio, detalhando se mantém esse otimismo. Nos meses recentes, indicou que o aumento nos preços das passagens será necessário para garantir a rentabilidade de algumas rotas.
Desde maio, as companhias evitam comentários públicos para não desmotivar os turistas.
Custos das passagens aéreas
“Os preços das passagens aéreas estão crescendo constantemente, mas as empresas precisam equilibrar o aumento das despesas com a demanda dos consumidores”, comentou para a AFP John Grant, analista da consultoria de dados do setor aéreo OAG.
A capacidade das companhias para suportar o custo mais alto do combustível, aceitando uma margem menor de lucro temporariamente, varia conforme a empresa.
Por exemplo, a irlandesa Ryanair, que não é associada à Iata, lançou várias promoções nos últimos meses.
A Air France-KLM, por sua vez, oferece pela primeira vez neste verão no hemisfério norte passagens com possibilidade de alteração sem taxa para clientes na França e nos Países Baixos.
No entanto, nem todas as companhias conseguirão acompanhar esse ritmo. “Empresas de médio porte com caixas limitadas enfrentam maior vulnerabilidade”, observou Grant, “independentemente de serem companhias tradicionais ou de baixo custo”.


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