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Conflito entre Irã e Israel se intensifica após 100 dias

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Israel realizou neste domingo (7) um ataque nos arredores ao sul de Beirute, área controlada pelo grupo pró-Irã Hezbollah, resultando em dois mortos, em retaliação aos disparos contra seu território, apesar de um cessar-fogo que não conseguiu interromper o ciclo de violência iniciado há 100 dias.

Os ataques de Israel causaram dois mortos e 20 feridos, incluindo quatro crianças e quatro mulheres, conforme o Ministério da Saúde do Líbano.

Por outro lado, Israel relatou duas ondas de ataques com drones iranianos contra seu território, as primeiras desde o cessar-fogo estabelecido em 8 de abril. Devido a isso, as aulas foram suspensas nesta segunda-feira.

Teerã divulgou um comunicado afirmando que Israel havia ultrapassado todas as linhas vermelhas no Líbano e anteriormente ameaçou tomar represálias contra interesses americanos e israelenses na região do Oriente Médio.

A possibilidade de chegar a um acordo para encerrar a guerra iniciada 100 dias atrás, que impactou a economia global, tornou-se cada vez mais remota.

Mohammad Bagher Ghalibaf, negociador-chefe do Irã e presidente do Parlamento, declarou no X que o bloqueio naval imposto ao Irã e o aval dos Estados Unidos ao regime sionista transformam as bases e ativos americanos e israelenses na região em alvos legítimos. Ele acrescentou que as forças armadas iranianas continuam livres para atuar conforme necessário.

Estagnação nas negociações

Apesar do impasse, o Paquistão, atuando como mediador, mantém seus esforços para promover a paz. O ministro do Interior paquistanês, Mohsen Naqvi, visitou Teerã e entregou uma carta especial ao líder supremo Mojtaba Khamenei, contendo uma mensagem importante, cujo conteúdo não foi revelado.

O porta-voz da chancelaria iraniana, Ismael Baqai, descreveu o processo negocial como trabalhoso e criticou as mudanças de postura e os comentários contraditórios do governo americano.

Na capital iraniana, a incerteza e as dificuldades econômicas afetam a população. “Tenho a sensação de que essa situação vai se estender por um tempo: um estado de suspensão, onde uns lançam mísseis, outros enviam drones, e duvido que isso resulte em estabilidade real”, disse Farhad, um chef de 35 anos. Ele ainda afirmou que a vida ficou cada vez mais difícil, e coisas antes consideradas acessíveis agora parecem sonhos distantes.

Desde o cessar-fogo de 8 de abril, as hostilidades tinham cessado, mas recentemente reacenderam, principalmente na área do Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica para hidrocarbonetos controlada por Teerã.

No domingo, o exército americano informou ter abatido dois drones iranianos que representavam ameaça ao tráfego marítimo internacional na região, afirmando que suas forças permanecem em estado de alerta.

Conflitos no Líbano

As hostilidades seguem no Líbano, de onde foram disparados tiros contra Israel, mesmo com o cessar-fogo em vigor.

O conflito teve início em 2 de março, quando o Hezbollah atacou Israel para vingar a morte do antigo líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

Este domingo, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que o exército retaliou atingindo centros de comando do grupo xiita nos subúrbios do sul de Beirute, em resposta aos disparos do Hezbollah contra o território israelense.

Desde o começo da guerra, os ataques ao Líbano já causaram ao menos 3.613 mortes, segundo autoridades locais. Do lado israelense, faleceram 29 soldados e um funcionário civil contratado, de acordo com o exército.

O Irã defende que qualquer acordo com os EUA inclua o fim das hostilidades no território libanês, enquanto os Estados Unidos preferem tratar os temas separadamente.

Nesse cenário, o presidente americano Donald Trump solicitou que Israel realize ataques mais precisos contra o Hezbollah.

As posições entre Teerã e Washington continuam distantes em relação ao conflito no Líbano, ao congelamento de ativos iranianos no exterior, à energia nuclear e ao controle do Estreito de Ormuz.

Enquanto isso, o Irã, que participa da Copa do Mundo de futebol organizada pelos EUA, México e Canadá, denunciou um tratamento discriminatório à sua delegação, já que vários membros da equipe técnica não conseguiram vistos para entrar nos Estados Unidos.

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