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Cuba questiona seriedade dos EUA no diálogo bilateral

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O governo de Cuba alertou nesta quinta-feira (28) que a atitude de Washington nas negociações bilaterais levanta dúvidas sobre a seriedade e responsabilidade do processo, enquanto reafirma seu compromisso em continuar as conversas.

As relações entre Havana e Washington ficaram tensas desde janeiro, quando os Estados Unidos impuseram um embargo ao petróleo para Cuba e novas sanções contra entidades e líderes cubanos, além de acusar o ex-presidente Raúl Castro pela queda de dois aviões de um grupo anticastrista sediado em Miami em 1996.

Mesmo assim, ambos os governos afirmam manter contatos diplomáticos, embora as negociações sejam feitas discretamente.

“Esperamos que o diálogo prevaleça neste momento, apesar das ações agressivas do governo dos EUA contra Cuba, que fazem questionar o comprometimento sério e responsável com este processo”, afirmou a vice-chanceler cubana, Josefina Vidal, durante uma audiência parlamentar.

A diplomata, de 65 anos e peça fundamental na reaproximação entre os dois países em 2015, destacou que Havana escolheu o diálogo para resolver conflitos bilaterais, mas “não para que os Estados Unidos tentem controlar o destino de Cuba por meio de pressão, coerção e ameaça militar”.

O governo cubano considera que as acusações contra Castro, 94 anos, são uma manobra política para justificar uma ação militar contra a ilha.

Por outro lado, o chanceler Bruno Rodríguez pediu ajuda urgente à comunidade internacional para evitar uma crise na ilha, em discurso no Conselho de Segurança da ONU.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, cubano-americano e forte crítico do governo cubano, disse na semana passada que Washington prefere “sempre uma solução diplomática”, mas alertou que o presidente Donald Trump possui outras opções para Cuba, que “sempre representou uma ameaça à segurança nacional” dos EUA.

Ele também revelou que Cuba decidiu, em princípio, aceitar uma oferta americana de 100 milhões de dólares (R$ 563 milhões) em ajuda, em troca de reformas.

No dia 14 de maio, o diretor da CIA, John Ratcliffe, realizou um encontro incomum em Havana com altos funcionários cubanos. Uma reunião diplomática de alto nível já havia acontecido em 10 de abril, marcando a primeira visita de uma delegação oficial dos EUA à ilha desde 2016.

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