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Economia

Ibovespa recua quase 1% em meio a tensão geopolítica no Oriente Médio

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Após uma breve recuperação antes do feriado de 1º de maio, quando teve um ganho de 1,39% – sua segunda alta em 12 sessões desde os recordes de abril -, o Ibovespa voltou a cair na abertura da semana, influenciado pelo aumento da aversão ao risco devido à situação no Oriente Médio.

Sem o suporte significativo da Petrobras (ON recuou 0,80% e PN avançou 0,53%), o índice da B3 fechou com queda de 0,92% nesta segunda-feira, aos 185.600,12 pontos, com um volume financeiro de R$ 26,4 bilhões. O índice atingiu a mínima diária de 185.537,58 pontos (-0,95%), após abrir em 187.317,55 e alcançar uma máxima de 187.666,20 pontos. No acumulado do ano, o Ibovespa ainda registra valorização de 15,19%.

Nesta segunda, ataques de drones provenientes do Irã causaram um incêndio de grandes proporções na zona industrial petrolífera de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. À tarde, as autoridades de emergência dos Emirados informaram que sistemas de defesa aérea estavam respondendo a uma sexta ameaça de míssil.

O almirante-chefe do Comando Central dos Estados Unidos, Brad Cooper, declarou que helicópteros militares americanos afundaram seis pequenas embarcações iranianas que atacavam navios civis no Estreito de Ormuz, o episódio mais recente em meio ao cessar-fogo frágil entre Irã e EUA.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã realizou ataques contra embarcações de países alheios à operação marítima americana no Estreito de Ormuz, incluindo um navio cargueiro da Coreia do Sul. Um navio de bandeira panamenha operado pela Coreia do Sul explodiu e pegou fogo próximo à costa dos Emirados Árabes Unidos.

Em outro incidente, o centro militar do Reino Unido informou sobre um incêndio com causa inicialmente desconhecida na casa de máquinas de uma embarcação de carga localizada a 36 milhas náuticas ao norte de Dubai.

Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, comenta: “Há muitas informações conflitantes, o que aumenta a aversão ao risco, numa semana repleta de resultados corporativos importantes, como os do Itaú e Bradesco. O petróleo já impacta a inflação e as taxas de juros, já que o conflito no Oriente Médio continua sem uma solução próxima”.

Na B3, entre as ações mais negociadas, apenas Petrobras PN escapou da queda, embora com desempenho modesto diante da alta de mais de 5% nos contratos futuros do petróleo Brent. A Vale ON caiu 3,10%, enquanto os principais bancos sofreram perdas, com Bradesco PN caindo 2,12%. Os maiores ganhos ficaram com Prio (+5,65%), Minerva (+4,74%) e Braskem (+3,83%). Entre os maiores recuos, destacam-se Hapvida (-7,18%), Cyrela (-4,98%) e MRV (-3,47%).

O petróleo WTI com vencimento em junho fechou em alta de 4,29%, cotado a US$ 106,42 por barril, enquanto o Brent subiu 5,8%, chegando a US$ 114,44 o barril. O Irã advertiu que interceptará qualquer embarcação que descumpra suas normas marítimas e reiterou o alerta aos EUA para não entrarem na região.

Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos, enfatiza: “Existe um prêmio elevado de risco nos preços futuros do petróleo, mas quando essa pressão diminuir, os preços devem retornar rapidamente para cerca de US$ 80 por barril, não mais para os níveis anteriores de US$ 60. O Brasil demonstra certa resistência a essa tensão, uma vez que é um exportador líquido da commodity”.

Assim, o desempenho dos ativos financeiros brasileiros segue sendo influenciado principalmente pelas tensões no Estreito de Ormuz, afetando ações, petróleo, câmbio e curva de juros, à medida que os investidores buscam proteção diante deste período prolongado de instabilidade, que já dura mais de dois meses, pontua Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos.

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