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Israel continua ataques no Líbano apesar da trégua
Israel lançou ataques no sul do Líbano nesta quinta-feira (4), declarando que mantém o direito de bombardear Beirute, mesmo após um acordo de cessar-fogo ter sido anunciado em Washington. O acordo exige a interrupção completa dos ataques promovidos pelo Hezbollah.
A situação na região influencia as negociações em curso entre os Estados Unidos e o Irã, que condiciona um acordo de paz na guerra regional, iniciada em fevereiro, à paralisação dos confrontos no Líbano.
Até o momento, o Hezbollah — grupo xiita alinhado com o Irã — não se manifestou sobre o acordo mediado pelos EUA entre Líbano e Israel, países que não mantêm relações diplomáticas oficiais.
O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que o cessar-fogo proporciona liberdade para que o exército continue atacando Beirute caso o Hezbollah agreda comunidades israelenses, reiterando a continuidade das operações no sul do Líbano.
A região também foi cenário da morte de um soldado da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) e ferimentos em outros dois em um bombardeio à base na noite anterior.
Israel Katz detalhou que o entendimento permite operações aéreas e terrestres para desmantelar estruturas terroristas no território e que a zona de segurança na fronteira seguirá sem a volta da população evacuada do sul libanês.
O exército renovou a ordem de evacuação do território ao sul do rio Zahrani, cerca de 40 quilômetros da fronteira, enquanto continua os ataques às instalações do Hezbollah na área.
A agência libanesa NNA reportou ataques de drones israelenses em várias cidades do sul, com ferimentos em um casal e sua filha após bombardeio a um veículo.
Horas antes, o exército israelense relatou um alerta de ataque aéreo provocado pela infiltração de uma aeronave hostil próxima à fronteira norte de Israel.
A Unifil confirmou a morte de um soldado da paz e ferimentos em outros dois após bombardeio em uma base no sul do Líbano na noite anterior.
Detalhes do acordo e reação
O cessar-fogo foi condicionado à completa interrupção dos bombardeios do Hezbollah e à retirada dos membros do grupo do sul do rio Litani, na fronteira, visando a criação de uma zona desmilitarizada, conforme descrito por Israel Katz.
Entretanto, pontos obscuros permanecem em relação à implementação da zona desmilitarizada, principalmente sobre as áreas onde as Forças Armadas Libanesas teriam controle exclusivo.
Israel e Líbano já haviam acordado um cessar-fogo em 17 de abril, sem que isso tenha resultado em paz efetiva.
O ministro da Segurança Nacional israelense, Itamar Ben-Gvir, crítico da extrema direita, classificou o acordo como um erro grave.
De outro lado, Mahmud Qomati, dirigente do Hezbollah, rejeitou negociações e afirmou não aceitar um cessar-fogo parcial com Israel.
O Hezbollah assumiu a responsabilidade por ataques contra soldados israelenses em território libanês durante a noite anterior.
O movimento xiita tem envolvido o Líbano nesta guerra regional, que começou com as ações dos EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
O Irã destaca que qualquer acordo com Washington deve incluir um cessar-fogo no Líbano.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, alertou que qualquer ataque a Beirute pode provocar uma escalada da guerra regional.
Desde 2 de março, os ataques israelenses mataram mais de 3.500 pessoas e deslocaram mais de um milhão no Líbano, segundo autoridades locais.
Do lado israelense, morreram 26 soldados e um civil contratado em território libanês.


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