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Jovens escrevem carta para reunião global da ONU sobre água
Jovens de comunidades periféricas e áreas vulneráveis estão reunidos neste sábado (6) na Fundição Progresso, próxima aos Arcos da Lapa, um antigo aqueduto colonial do século XVIII que hoje é um ponto turístico no Centro do Rio de Janeiro.
O aqueduto é uma estrutura criada para transportar água de uma fonte até centros urbanos. A água é o tema central deste encontro de ativistas, que participam de debates sobre o direito à água, saneamento e adaptação às mudanças climáticas.
Organizado pela organização da sociedade civil Águas Resilientes, o evento culminará na elaboração de uma carta, a Declaração das Juventudes, com propostas que serão encaminhadas a autoridades brasileiras e à Conferência da Água da Organização das Nações Unidas (ONU), marcada para dezembro, nos Emirados Árabes Unidos.
Este encontro mundial é considerado o mais importante sobre a água, buscando fortalecer a governança deste recurso e destacar a pauta na agenda global.
Custo de não agir
A especialista em planejamento urbano Andrea Pulici destacou o debate sobre o custo para universalizar o saneamento no Brasil. Segundo o Marco Legal do Saneamento, o objetivo é garantir o acesso à água tratada para 99% da população e a coleta e tratamento de esgoto para 90% até 2033.
Ela apontou que são necessários investimentos anuais de cerca de R$ 114 bilhões para alcançar essa meta, valor próximo ao estimado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que projeta até R$ 900 bilhões até 2033.
Para Andrea Pulici, o mais relevante é refletir sobre o ‘custo de não agir’.
“Quanto vale viver em uma comunidade sem medo de inundações? Quanto custa para uma família ter acesso à água de verdade e, com isso, a serviços essenciais?”, questionou.
Ela exemplificou que a ausência de saneamento impede a cidadania quando uma escola não tem água para os alunos. “Será que isso não é mais caro do que os R$ 114 bilhões?”, complementou.
Dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico indicam que 84,1% da população tem acesso à rede de abastecimento de água; 62,3% são atendidos pela rede coletora de esgoto, e 51,8% do esgoto gerado é tratado.
Água e dignidade
A ativista Johari Silva, da ONG Ação da Cidadania, defende que o debate sobre o direito à água está diretamente ligado à dignidade humana.
“Sem água, não há dignidade, nem segurança alimentar, saúde, nada”, ressaltou.
Johari defende que a diplomacia climática deve ouvir, além de governos e entidades privadas, as comunidades tradicionais, periferias, povos indígenas, ribeirinhos e outros grupos afetados pela falta de acesso à água.
Ela também destacou os projetos da Ação da Cidadania voltados para capacitar jovens a ocuparem espaços de decisão, onde muitas vezes são excluídos ou não possuem acesso.
Força da juventude
Sylvia Siqueira, gerente de programas para democracia na América Latina da Open Society Foundations, destacou que os jovens são não só o futuro, mas as referências para que este futuro exista.
“Vocês são nossas referências em imaginação e força para sonhar. Continue mantendo essa energia hoje e pelos anos que virão”, incentivou.
O cientista político e estrategista internacional Matheus Marlisson classificou a crise climática como o maior desafio deste milênio.
Ele defendeu o papel relevante do Brasil na diplomacia global sobre água e meio ambiente, combinando proteção ambiental com desenvolvimento justo, sustentável e próspero.
“O Brasil pode trazer para o debate da Conferência da Água uma visão mais integrada envolvendo a sociedade civil, política e outros atores do desenvolvimento”, afirmou à Agência Brasil.
Matheus Marlisson destacou que a juventude brasileira é muito atuante e caminha para ser referência no debate mundial.
“Vemos nas favelas do Rio, nas comunidades ribeirinhas, no Nordeste e no meio rural jovens engajados”, comentou.
A deputada estadual Dani Monteiro (PSOL-RJ), criada na comunidade de São Carlos, no centro do Rio, relacionou justiça pela água com justiça climática, afirmando que os temas estão interligados.
Ela afirmou que governar assuntos ligados à água é um grande desafio e que encontros com jovens de áreas vulneráveis ajudam a criar marcos para a governança territorial.
“Este debate é um passo fundamental, pois não há gestão democrática de recursos sem participação da população”, destacou à Agência Brasil.
Dani Monteiro é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).


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