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Justiça autoriza libertação de Márcio Canella
Em decisão tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado Márcio Canella (União) teve sua liberdade concedida.
A deliberação ocorreu na noite da última sexta-feira. Canella havia sido detido em flagrante por porte ilegal de arma de fogo durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada na terça-feira pela Polícia Federal.
Após audiência de custódia que confirmou a prisão, o ex-prefeito foi transferido para o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, localizado no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio, conhecido como Bangu 8.
Segundo a Polícia Federal, um fuzil foi achado no carro de Canella durante a operação. No entanto, ele alegou que a arma não era sua.
O presídio onde esteve detido já abrigou outros presos de alta repercussão, como o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), antes de sua transferência para uma unidade federal em Brasília.
A Operação Unha e Carne tem como objetivo desmantelar uma organização suspeita de lavar dinheiro por meio de postos de gasolina. Na quarta-feira, houve a prisão do ex-prefeito Canella por porte ilegal de arma de uso restrito, e a investigação continua sob supervisão da Polícia Federal.
Essa prisão gerou impacto político, especialmente na composição da chapa do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Rio de Janeiro. Canella, indicado ao Senado pela federação União Brasil-PP com apoio de Flávio, é o segundo político do grupo a ser alvo de investigação pela PF em recente período, o que pode levar à substituição de sua candidatura.
Aliados do presidenciável avaliam que manter Canella na disputa seria prejudicial politicamente, podendo causar desgaste adicional a uma chapa já instável.
Detalhes da Operação
A operação originou-se a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que detectou movimentação financeira superior a R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos em uma rede de postos de gasolina.
Canella era inicialmente alvo de buscas e apreensões, mas em sua residência foram encontrados outras armas, munições e relógios de luxo.
Mandados de busca, emitidos pelo ministro Alexandre de Moraes, foram cumpridos em 19 endereços em diferentes municípios, incluindo a capital, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. A polícia apreendeu 11 veículos de luxo, entre eles uma Mercedes-Benz avaliada em R$ 1,5 milhão, e cerca de R$ 800 mil em espécie foram encontrados em uma empresa em Niterói. Um policial militar também foi preso por porte de arma durante as operações.
A Justiça ordenou o bloqueio de bens relacionados e a suspensão das atividades das empresas ligadas ao grupo investigado. Os processos em andamento podem resultar em acusações de organização criminosa, contratação ilegal e lavagem de dinheiro.
A Operação Unha e Carne faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal conforme determinação do STF, no contexto da ADPF 365.

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