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Keiko Fujimori lidera em pesquisa preliminar na eleição presidencial do Peru

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Keiko Fujimori, representante da direita, está ligeiramente à frente do candidato de esquerda Roberto Sánchez nas pesquisas preliminares do segundo turno das eleições presidenciais no Peru, realizadas neste domingo (7), em meio a um cenário de instabilidade política e aumento da criminalidade.

Keiko Fujimori, filha do ex-presidente autoritário Alberto Fujimori (1990-2000), disputa pela quarta vez a presidência contra Sánchez, sucessor político do ex-presidente Pedro Castillo, atualmente preso após sua tentativa falha de golpe de Estado em 2022.

Segundo a pesquisa privada Ipsos, Fujimori tem 50,7% das intenções de voto contra 49,3% de Sánchez; dados da Datum indicam 50,5% para Fujimori e 49,5% para Sánchez, indicando um empate técnico.

Mais de 27 milhões de eleitores foram convocados para escolher um presidente que terá mandato de cinco anos, o nono em dez anos, após uma série recorde de mudanças no comando do país.

A votação terminou às 17h locais (19h no horário de Brasília), sem incidentes significativos, contrastando com o tumultuado primeiro turno marcado por problemas técnicos e alegações de fraude.

Fujimori, administradora de 51 anos, se apoia na ambígua herança do pai, que estabilizou a economia e derrotou insurgentes, mas foi acusado de crimes contra os direitos humanos.

Sánchez, congressista e ex-ministro de 57 anos, se identifica com o legado rural de Castillo. Mostrando fidelidade, aguardou os resultados na prisão onde está seu mentor, a quem prometeu conceder indulto.

Nos primeiros turnos, ambos candidatos não ultrapassaram 30% dos votos, enfrentando dificuldades logísticas e acusações que minaram a confiança nas instituições eleitorais peruanas.

Ordem versus mudança

Fujimori defende a palavra de ordem “estabilidade”, alertando contra o “comunismo”.

“Votei na Keiko porque ela representa estabilidade. Infelizmente, não a tivemos governando antes”, afirmou Luis Bernaola, técnico eletrônico de 44 anos.

Sánchez suavizou seu discurso radical do primeiro turno, distanciando-se de grupos ultranacionalistas e buscando manter relações respeitosas com os Estados Unidos.

“Precisamos de mudança. O equilíbrio de poderes é essencial. Tenho mais receio da Keiko do que do Sánchez”, declarou Juan Salas, comerciante de 32 anos.

O candidato de esquerda, que usa um chapéu presenteado por Castillo, acusa Fujimori de integrar uma “ditadura” congressual que derruba presidentes, onde ela tem grande influência.

Apesar de estar sob processo por supostas irregularidades financeiras em seu partido, Sánchez terá imunidade se eleito, embora possa enfrentar um Parlamento dominado pela direita.

Nenhum dos concorrentes detém maioria legislativa, o que exigirá alianças para governar, conforme analista Jeffey Radzinsky.

O presidente eleito assumirá o cargo em 28 de julho, substituindo o interino José María Balcázar.

Segurança e economia em foco

A insegurança preocupa profundamente os peruanos, em um país marcado pela ação de quadrilhas e aumento expressivo das extorsões nos últimos cinco anos.

“É o maior problema. Espero que eles consigam conter a criminalidade”, disse Carlos Altamirano, engenheiro de 49 anos, após votar em Lima.

Fujimori propõe medidas duras como a militarização das prisões e áreas conflituosas, além da expulsão de imigrantes, buscando combater a “praga social” com a mesma firmeza de seu pai contra insurgentes nos anos 90.

Sánchez pretende combater corrupção policial e judicial, denunciando a conivência entre elites políticas e criminalidade.

Sua base social está nas regiões rurais empobrecidas, onde a violência é menor. Já Fujimori tem apoio em Lima, onde a taxa de homicídios triplicou em 2025 em comparação a 2020, chegando a 23 por 100 mil habitantes.

Apesar dos desafios, o Peru mantém estabilidade econômica, com crescimento do PIB de 3,4% e inflação controlada, apesar da prevalência da informalidade para a maioria dos trabalhadores.

Fujimori defende políticas neoliberais, proteção à propriedade privada e atração de investimentos dos Estados Unidos.

Sánchez prometeu aumentar salários e garantiu que manterá a abertura econômica e a independência do banco central.

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