Economia
lula elogia mercado chinês para carne após tarifa dos EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou o reconhecimento oficial do Brasil como livre da febre aftosa pela China, destacando que essa decisão ocorreu no mesmo dia em que os Estados Unidos anunciaram uma proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
De acordo com Lula, essa certificação abre portas para que o Brasil amplie as exportações de carne para outros mercados internacionais. Desde que os Estados Unidos impuseram a primeira tarifa, o governo brasileiro tem buscado diversificar seus parceiros comerciais, incluindo no setor agropecuário.
– Como costuma acontecer, desafios levam a novas oportunidades. Enquanto os EUA adotam medidas protecionistas, a China reconhece que o Brasil está oficialmente livre da febre aftosa, liberando nossa carne para seu mercado. Acredito que sempre haverá um caminho para vender nossos produtos – afirmou Lula, durante um evento em Goiás.
A febre aftosa é uma doença que afeta bovinos e suínos e essa certificação chinesa deve eliminar diversas restrições que atualmente limitam o comércio. O Ministério da Agricultura destacou que a decisão deve ampliar as exportações brasileiras de carne bovina e suína, incluindo cortes específicos e miúdos, para o mercado chinês.
Segundo dados oficiais, as exportações do agronegócio brasileiro à China ultrapassaram 50 bilhões de dólares em 2025.
Em Catalão (GO), o presidente enfatizou que as novas tarifas propostas pelos EUA poderão causar prejuízos a setores da economia brasileira, especialmente o agronegócio.
– Recentemente, um deputado brasileiro pediu ao presidente Trump que impusesse tarifas para dificultar as chances eleitorais de Lula. No entanto, essa atitude não prejudica Lula, mas sim o povo e os empresários brasileiros, especialmente no setor agrícola – criticou o presidente.
O relatório americano cita que certas políticas brasileiras são consideradas injustas e prejudiciais a empresas dos EUA, mencionando temas como o Pix, comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate ao desmatamento e corrupção.
No governo brasileiro, a proposta americana é vista como desprovida de fundamentos técnicos sólidos e muitos de seus argumentos são julgados absurdos. No entanto, avalia-se que a penalidade poderia ter sido ainda mais rigorosa, já que a tarifa sugerida é de 25% e o relatório prevê exceções e prevê possibilidade de acordo bilateral.
Em reunião na terça-feira, ministros do Brasil devem definir a estratégia para lidar com a escalada da disputa comercial. Entre as medidas estudadas estão a continuidade das negociações com os EUA, por meio do grupo de trabalho formado após o encontro entre Lula e Donald Trump em maio, e eventuais ações de retaliação previstas na Lei da Reciprocidade Econômica.


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