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Queda de Maduro foi terapia necessária para salvar a democracia na Venezuela, diz opositor

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Perkins Rocha, assessor jurídico da oposição venezuelana e preso político sob prisão domiciliar, afirmou em entrevista à AFP que a remoção do presidente Nicolás Maduro foi uma “terapia” indispensável para o resgate do país, além de defender a realização imediata de eleições presidenciais.

Ex-juiz da Suprema Corte e aliado de María Corina Machado, ganhadora do Nobel da Paz, Rocha foi preso em agosto de 2024 em meio a uma onda repressiva após as eleições daquele ano, que declararam Maduro vencedor apesar das denúncias de fraude por parte da oposição.

Ele passou cerca de dois anos na conhecida prisão política de El Helicoide, sendo liberado graças a uma série de solturas promovidas pela presidente interina Delcy Rodríguez, que governa sob influência dos Estados Unidos após a saída de Maduro em 3 de janeiro.

Aos 63 anos, Rocha permanece em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica e sob vigilância policial constante próximo ao seu apartamento.

A justiça venezuelana rejeitou seu pedido de anistia, sendo um dos raros presos políticos liberados que ainda não possuem liberdade total de movimento.

Rocha compara a intervenção militar americana em janeiro a um tratamento de câncer. “Para salvar o corpo, foi necessário um tratamento agressivo”, explicou.

Ele reconhece que a operação causou muitas mortes – cerca de uma centena –, mas acredita ser imprescindível para preservar o país.

Para continuar o processo de recuperação da Venezuela, ele defende a realização urgente de eleições presidenciais, que descreve como um “bypass” para restabelecer a normalidade política.

Novas eleições

Desde 3 de janeiro, analistas apontam que a Venezuela se encontra sob tutela dos EUA. O presidente americano, Donald Trump, tem elogiado a administração de Rodríguez, que promove reformas para atrair investimentos privados nas indústrias petrolífera e mineradora.

Embora não mencione diretamente os Estados Unidos, Rocha solicita acompanhamento cuidadoso dessa “tutela” para que o país possa se tornar útil não somente para seus apoiadores, mas para toda a democracia na América.

Contrariando opiniões da oposição e de Washington, ele descarta a necessidade de esperar muito tempo para as próximas eleições, afirmando que as condições atuais são similares às de 2024, cujas eleições, segundo ele, foram vencidas pela oposição.

“Comprovamos internacionalmente nossa vitória contra Elvis Amoroso, presidente do Conselho Nacional Eleitoral, que apresentou resultados falsificados”, garantiu.

Agora, acredita que será impossível manipular o resultado do processo eleitoral.

Reformas e críticas

Rocha critica as mudanças promovidas pelo governo interino, em especial a reforma judicial requerida por Rodríguez.

“Trocar nomes não representa uma verdadeira mudança”, afirmou. “É só uma aparência para cumprir uma tarefa política”.

Esta tarefa buscada por oposição e Estados Unidos, segundo ele, consiste em transformar as estruturas do país e possibilitar a construção de uma nova Venezuela.

Sobre a lei de anistia aprovada em fevereiro, Rocha mostra ceticismo e a classifica como “muito ruim”. Reconhece que libertou muitos detidos injustamente, mas entende que foi usada como justificativa para as libertações, pressionadas pela comunidade internacional.

Ele próprio foi acusado de “terrorismo”, uma acusação comum contra opositores políticos no país.

“Meu crime foi garantir o direito à soberania popular e a manifestação dos cidadãos em 28 de julho de 2024”, explicou.

Durante a prisão, conheceu familiares de presos políticos, citando a estratégia do regime de perseguir familiares para pressionar os opositores.

Hoje vive em sua casa, porém a tornozeleira eletrônica ainda lhe causa grande sofrimento espiritual.

Descobriu que sua liberdade já era limitada mesmo antes da prisão e acredita que o avanço rumo à democracia é agora inevitável.

O período da presidência interina é ainda incerto e complexo, mas, segundo Rocha, é necessário cumprir esta etapa antes de iniciar a verdadeira transição democrática.

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