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Venezuelanos começam vida nova após terremotos
Dezenas de pessoas reviram pilhas de roupas no gramado de um estádio em La Guaira, região mais atingida pelos recentes terremotos na Venezuela. Elas buscam vestimentas nesse abrigo temporário, que serve de moradia para muitos que perderam tudo.
Os tremores, de intensidades 7,2 e 7,5, ocorreram na quarta-feira (24) e provocaram quase mil mortes em menos de um minuto, além de mais de 50 mil desaparecidos, deixando um panorama de destruição especialmente em La Guaira, próxima à capital Caracas.
“É como se Deus te concedesse uma nova chance de viver”, relata Yosey Escalona no local.
Edifícios desmoronados, ambulâncias constantes, motos transportando materiais de socorro e buscas desesperadas por pessoas e corpos sob os escombros definem o ambiente em La Guaira.
Cem pessoas desabrigadas encontraram no estádio José María Vargas um espaço aberto e seguro para se proteger das por volta de 300 réplicas desde o tremor inicial às 18h04 daquele dia.
Escalona mencionou que precisou deixar sua residência por estar estruturalmente comprometida, com paredes destacando-se das colunas.
A estrutura do local foi adaptada com tendas grandes, onde grupos de até 50 pessoas compartilham espaço. Itens essenciais como higiene, água e alimentos não perecíveis são armazenados nas tendas.
Entre os moradores, há organização para distribuir os recursos e manter a ordem.
“Temos espaço e todos são acolhidos aqui. Estamos totalmente dispostos a ajudar uns aos outros neste momento difícil”, comentou Escalona, que lidera 46 pessoas de várias regiões abrigadas sob lonas.
Na entrada, um movimento intenso de motos e pessoas leva ajuda para os afetados, transportando grandes bolsas, colchões e suprimentos.
Este local funciona também como um ponto de coleta e distribuição de itens essenciais.
Apesar da tristeza, a solidariedade é destaque.
“A união que existe agora é surpreendente”, destacou Carlos Marcanos, um trabalhador portuário que também perdeu sua casa perto da costa.
A maioria dos danos ocorreu em La Guaira, com população superior a 400 mil habitantes.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, declarou a região como área de desastre e informou que o local está militarizado para garantir a segurança.
A ajuda vem de várias partes do país para apoiar abrigos e unidades de saúde, com doações de alimentos e itens básicos.
Pedro Colmenares e colegas levaram 500 pães e bebidas para distribuir no abrigo, onde longas filas aguardavam por comida.
“Estamos unidos, oferecendo apoio e mostrando que o povo venezuelano se ama e se ajuda nos momentos difíceis”, declarou ele.
Marcas da tragédia estão visíveis nos refugiados: hematomas, curativos e roupas sujas de poeira. Feridos e pacientes psiquiátricos também recebem abrigo nas tendas.
O Hospital Periférico de Pariata atendeu a maioria dos feridos. Segundo um enfermeiro, mais de 400 pessoas foram assistidas nas primeiras 48 horas.
Esse hospital encaminha os pacientes ao abrigo, pois muitos não têm para onde ir.
“Conforme os pacientes recebem alta, surge um novo desafio: muitos estão desabrigados após terem perdido tudo”, explicou a cirurgiã Geralldyne Franco.

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