Economia
Fictor encerra fundo para resgates e convoca assembleia para decidir liquidação
Com um aumento significativo nas solicitações de resgate, que ultrapassaram 40% do patrimônio líquido, a Fictor Asset anunciou o encerramento das resgates no Fictor Invest Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).
O fundo, com patrimônio em torno de R$ 270 milhões, era uma das formas de captação de recursos da Fictor após o término da oferta de Sociedade em Conta de Participação (SPC).
Além disso, a administradora do fundo, BRL Trust Distribuidora de Valores e Títulos Mobiliários, convocou para o dia 9 de março uma Assembleia Geral dos cotistas com a proposta de liquidar o fundo.
A Fictor Holding apresentou uma proposta para adquirir o banco Master, comprometendo-se a investir R$ 3 bilhões para melhorar a liquidez da instituição.
Conforme comunicado, após o pedido de recuperação judicial da Fictor Holding e da Fictor Invest, houve um aumento incomum nas solicitações de resgate.
O documento atribui esse movimento ao risco reputacional da empresa, embora o FIDC tenha independência jurídica, administrativa e operacional em relação às citadas entidades.
“Mas a similaridade reputacional e a unidade da marca causaram um aumento atípico e expressivo nos pedidos de resgate, ultrapassando 40% do patrimônio líquido”, explica o texto.
De acordo com a política de investimentos do fundo, mais de 67% da carteira está direcionada a Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), que possuem prazos de liquidez incompatíveis com o volume de resgates solicitados de forma imediata.
Por essa razão, a administradora e a gestora do fundo comunicaram, no dia 20 de fevereiro, o fechamento do fundo para resgates, a fim de evitar prejuízos aos cotistas. Em 19 de fevereiro, a administradora renunciou ao cargo de administração do fundo.
— Se aprovada, a liquidação será realizada com venda gradual dos ativos e pagamento aos cotistas conforme ordem de subordinação, com previsão de conclusão até 31 de agosto deste ano — explica o advogado Vitor Mello, que acompanha o caso. Desde dezembro, a Fictor vinha atrasando os pagamentos aos cotistas das SCPs.
Recentemente, além da Holding e da Fictor Invest, outras empresas do grupo foram incluídas no pedido de recuperação judicial, como a Fictor Alimentos. Segundo a Fictor Alimentos, a decisão decorreu dos impactos negativos no ambiente de negócios após a divulgação da recuperação judicial da controladora.
O pedido ainda está em análise pela Justiça de São Paulo.
No início do mês, a Justiça de São Paulo determinou a suspensão por 30 dias de processos de execução e novos bloqueios de bens contra a Fictor Holding e a Fictor Invest.

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