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Alckmin critica rótulo de grupos terroristas para PCC e CV e chama de ‘farsa’ Bolsonaro
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) manifestou nesta sexta-feira (29) sua desaprovação em relação à decisão dos Estados Unidos de rotular as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Ele destacou que essa decisão pode acarretar efeitos econômicos negativos para o Brasil e está sendo usada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro como uma “farsa” política para desviar a atenção das investigações envolvendo o clã e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Durante uma entrevista coletiva em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, Alckmin reforçou que o enfrentamento ao crime organizado é uma prioridade constante das forças de segurança do país e ressaltou iniciativas recentes aprovadas pelo Congresso Nacional.
— É lamentável que integrantes do grupo Bolsonaro coloquem seus interesses pessoais acima do interesse nacional. Para tirar o foco do escândalo do Banco Master, o maior caso de corrupção e evasão fiscal, criam histórias falsas para desviar a atenção. Pensam mais neles do que no Brasil, o que prejudica o país — afirmou.
O vice-presidente ainda ressaltou que essa classificação pode trazer consequências desagradáveis para o Brasil no âmbito internacional.
— Pode afetar o sistema financeiro e a economia, não trará soluções eficazes no combate ao crime e pode prejudicar o desenvolvimento econômico — completou.
Alckmin citou como exemplo da ação das autoridades brasileiras contra o crime organizado a Operação Fluxo Oculto, realizada pela Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público e Gaeco, que investiga um esquema de fraude fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis envolvendo valores bilionários.
— A Operação Fluxo Oculto não atingiu apenas os envolvidos diretamente, mas toda a cadeia, incluindo importadores, navios e refinarias. Este é um trabalho constante — disse.
De acordo com reportagem do O Globo, o mercado financeiro e produtivo do Brasil manifesta preocupação com os possíveis impactos da decisão, já que empresas americanas podem se sentir receosas de estabelecer relações comerciais com setores suspeitos de ligação com essas organizações criminosas.
Segundo a legislação dos Estados Unidos, qualquer pessoa ou empresa americana, ou que opere no país, que realizar negócios, enviar ou receber recursos ou serviços de grupos terroristas pode ser punida criminalmente. Indiretamente, isso se aplica a qualquer entidade ou indivíduo com vínculos com essas facções agora classificadas como terroristas.
O anúncio sobre a mudança foi feito recentemente, poucos dias após o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro se reunir com o ex-presidente Donald Trump e membros da alta administração americana. Após a visita, Flávio Bolsonaro afirmou ter solicitado ao ex-presidente a designação das facções brasileiras como grupos terroristas.
A classificação passará a vigorar em 5 de junho, conforme comunicado do Departamento de Estado dos EUA.
O que muda com a designação de grupo terrorista nos EUA:
- Permite ao governo americano implementar medidas legais, financeiras e operacionais específicas contra o grupo.
- Autoriza o bloqueio de ativos, proibindo transações e impondo restrições migratórias a membros ou associados.
- Torna ilegal, nos Estados Unidos, qualquer apoio material ao grupo, incluindo dinheiro, treinamento, serviços ou fornecimento de equipamentos.
- Amplia o uso de recursos de inteligência e capacidades operacionais do Departamento de Defesa americano, inclusive em ações independentes, dependendo da aplicação da lei.


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