Centro-Oeste
Crianças e jovens mantêm a tradição dos tapetes de Corpus Christi em Brasília
Na manhã desta quinta-feira (4), a Esplanada dos Ministérios em Brasília se transformou em uma grande obra de arte feita com fé e trabalho em equipe. Crianças, adolescentes, jovens e adultos se uniram para criar os famosos tapetes de Corpus Christi, por onde passará o Santíssimo Sacramento após a missa celebrada pelo cardeal Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília. A Arquidiocese espera receber cerca de 50 mil fiéis ao longo do dia. Os tapetes têm 125 metros de comprimento e são compostos por 25 quadros que mostram passagens bíblicas e símbolos da fé católica.
Sentadas no chão, com as mãos coloridas pelos pigmentos e atentos às instruções dos coordenadores, crianças da Infância e Adolescência Missionária ajudaram a preparar os materiais para os tradicionais tapetes da Esplanada dos Ministérios. Entre os voluntários estavam Catarina Almeida, Miguel de Souza e Maria Vitória, todos com 12 anos. Eles participam pela segunda vez e veem essa atividade como uma maneira concreta de viver a fé.
“Quando o padre passar mais tarde, vou saber que aquele tapete foi feito por mim também”, conta Catarina. Para Miguel, a participação ajuda a fortalecer a espiritualidade. “É importante para crescermos na fé e saber que o Corpo de Cristo passará por um tapete que nós mesmos fizemos”, afirma.
Tradição passada de geração em geração
A participação das crianças na confecção dos tapetes não é por acaso. Há cerca de 20 anos, a Infância e Adolescência Missionária da Arquidiocese de Brasília participa da celebração, envolvendo novas gerações em uma tradição centenária.
De acordo com a assessora do movimento na paróquia São João Batista, no Gama-DF, Lúcia de Fátima Cardoso, o objetivo é fazer com que os jovens entendam o significado da Eucaristia e assumam, desde cedo, um compromisso com a vida cristã.
“Quando trazemos nossas crianças e adolescentes para esse momento importante da fé, eles crescem no compromisso com Cristo e com a Igreja. É uma forma de garantir a continuidade dessa missão”, explica.
A organização envolve representantes de várias regiões administrativas do Distrito Federal. Embora centenas de crianças participem durante o ano nos grupos missionários, apenas algumas conseguem estar na Esplanada. Quem não participa pessoalmente contribui com doações, orações e apoio na estrutura do evento.
Uma festa com origem na Idade Média
A tradição celebrada tem origem no século XIII. A festa de Corpus Christi foi oficialmente criada em 1264 pelo Papa Urbano IV, após relatos das visões de Santa Juliana de Cornillon, uma religiosa belga que defendia uma celebração dedicada exclusivamente à adoração da Eucaristia.
O reconhecimento veio após o chamado Milagre Eucarístico de Bolsena, na Itália, quando um padre que duvidava da presença real de Cristo na hóstia consagrada viu sangue durante a missa. Esse episódio reforçou a devoção e ajudou a espalhar a festa por toda a Igreja Católica.
Desde então, procissões e tapetes passaram a fazer parte da celebração em muitos países, inclusive no Brasil, onde a tradição chegou junto com os portugueses e se tornou uma das mais populares manifestações religiosas do calendário católico.
Jovens que mantêm a fé viva
Entre os grupos que desenharam os tapetes estavam jovens da Renovação Carismática Católica. Para Yasmin Dourado Dantas, de 21 anos, da Paróquia Santa Maria dos Pobres, no Paranoá, participar da montagem é um sinal de esperança para o futuro da Igreja. “É uma alegria enorme estar aqui. Ver tantos jovens reunidos para celebrar Corpus Christi mostra que a Igreja tem um futuro bonito”, diz.
A estudante Kate Gabriele, de 19 anos, da Paróquia São João Batista, no Gama, compartilha o mesmo sentimento. “Estamos aqui trabalhando para a obra de Deus. É gratificante colocar a mão na massa e fazer parte de algo tão importante para a fé”, afirma.
Enquanto os desenhos ganhavam forma na Esplanada, grupos cantavam e ajudavam a preparar a celebração. Entre sacos de sal colorido, serragem e bandeiras, a tradição seguia viva, sendo passada por aqueles que a receberam e que agora vão transmiti-la às próximas gerações.


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