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EUA dizem que Irã pediu encontro no Catar
Donald Trump, presidente dos EUA, anunciou nesta segunda-feira (29) que representantes dos Estados Unidos e do Irã vão se encontrar amanhã no Catar. O Irã, por sua vez, confirmou o envio de uma equipe de especialistas a Doha, mas salientou que não haverá “nenhuma reunião de negociação com a parte americana”.
O anúncio ocorre após um acordo entre Teerã e Washington para suspender ataques mútuos, em meio a recentes conflitos no Golfo.
“O IRÃ SOLICITOU UMA REUNIÃO. ELA ACONTECERÁ AMANHÃ EM DOHA!”, declarou Trump em sua plataforma Truth Social. Posteriormente, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse à Fox News que os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner viajarão para lá esta semana para participar de reuniões de alto nível.
Durante o dia, o ministério das Relações Exteriores do Irã negou o encontro. Mais tarde, seu porta-voz Esmaeil Baqaei afirmou que uma delegação iraniana irá a Doha no fim da semana para discutir a aplicação das cláusulas do memorando, enfatizando que não estão em fase de negociação de um acordo final e que nos próximos dias não haverá reuniões entre os iranianos e americanos em nenhum nível.
O Catar está mediando, junto com o Paquistão, as negociações com o objetivo de encerrar o conflito no Oriente Médio.
Tensão no Estreito de Ormuz
O ponto central do conflito entre EUA e Irã é o controle do estratégico Estreito de Ormuz, importante rota por onde passava 20% dos hidrocarbonetos consumidos mundialmente antes da guerra.
O acesso foi reaberto recentemente após ter sido fechado pelo Irã no início do conflito, em 28 de fevereiro, desencadeado por ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Teerã mantém a posição de que a passagem pelo estreito não retornará ao que era antes da guerra, quando era livre, postura rejeitada pelos EUA.
Os EUA acusaram o Irã de atacar dois navios na semana anterior e retaliaram com bombardeios. O Irã respondeu atacando bases americanas na região do Golfo. Estes conflitos colocaram em risco o memorando de entendimento assinado em 17 de junho para encerrar a guerra na região.
O Irã exige que os navios que atravessam o estreito sigam um corredor próximo à sua costa, enquanto muitos têm passado pelo lado oposto, próximo a Omã.
Após reunião entre o presidente francês Emmanuel Macron e o sultão de Omã Haitham bin Tariq, ambos defenderam a livre navegação sem restrições e anunciaram operações conjuntas de remoção de minas. O vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, insistiu que somente o Irã deveria realizar esses trabalhos.
O tráfego marítimo diminuiu no fim de semana após um navio ter sido atingido enquanto passava pelo estreito no sábado. Dados da empresa de rastreamento Kpler mostraram que 29 navios cruzaram o estreito no sábado e 12 no domingo.
O preço do petróleo subiu hoje, com o barril de Brent para agosto chegando a 73,15 dólares, alta de 1,61%, e o barril WTI subindo 2,20%, para 70,75 dólares.
Conflito no Líbano
Em outra frente, o presidente libanês Joseph Aoun declarou ao chefe do Comando Central dos EUA sua intenção de ampliar o controle do exército até a fronteira com Israel, onde o grupo islamista pró-Irã Hezbollah permanece forte.
Apesar do acordo para uma paz duradoura entre Israel e Líbano, ataques israelenses continuam, como os recentes em Qantara e Deir Seryan no sul do país.
O acordo condiciona a retirada israelense dos territórios libaneses ocupados ao desarmamento do Hezbollah, uma exigência antiga que o governo libanês ainda não conseguiu cumprir.
O Líbano entrou no conflito em março, quando o Hezbollah atacou Israel em apoio ao Irã após o início da guerra contra Teerã. O Irã deseja incluir o conflito no Líbano no memorando de entendimento com os EUA.

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