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ChatGPT lança versão para jovens; especialistas discutem pontos positivos e cuidados
A OpenAI divulgou, nesta terça-feira (18), o lançamento mundial de uma nova versão do ChatGPT destinada a adolescentes entre 13 e 17 anos.
De acordo com a empresa, a ferramenta busca “estimular os jovens a pensar criticamente e aprender com proteções internas e controles extras para os pais”.
Um dos principais recursos é o Modo Estudo, criado para auxiliar estudantes a resolver problemas complexos. Esse modo apresenta perguntas passo a passo, evitando respostas imediatas.
Segundo o comunicado, essa função visa fortalecer a compreensão dos temas estudados pelos usuários.
Além disso, os adolescentes poderão definir horários de estudo, receber lembretes para tarefas, organizar cronogramas, criar quizzes, revisar anotações e fazer simulados para provas.
Para a diretora executiva do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), Cláudia Santa Rosa, esses recursos são valiosos para quem atua na educação. Porém, ela ressalta a necessidade de famílias e escolas estabelecerem regras claras para o uso consciente.
“Uma geração que cresce na era digital não pode enfrentar um sistema escolar antiquado. É preciso aproximar a escola dos estudantes para que faça sentido. As famílias precisam acompanhar, orientar e limitar o tempo diante das telas”, alerta.
Ela destaca o risco de naturalizar o pensamento instantâneo e automático estimulado pela inteligência artificial.
“É essencial evitar substituir o pensamento humano pela facilidade da IA. Tenho alertado sobre os perigos de formar gerações com dificuldades para pensar e elaborar suas próprias respostas, devido ao acesso fácil a soluções prontas. As tecnologias são úteis para buscas iniciais, mas construir conhecimento exige mediação do professor, pesquisa e experimentação.”
Apesar da ferramenta reconhecer tentativas de burlar o Modo Estudo para obter respostas diretas, a OpenAI não garante sua total eficácia. Portanto, adolescentes ainda poderão receber respostas rápidas, como na versão comum do ChatGPT.
“O Modo Estudo foi desenvolvido para fazer perguntas que ajudam o usuário a encontrar respostas, mas em alguns casos pode fornecer respostas diretas. Nestes momentos, é possível optar por dicas, questionários ou orientações passo a passo”, explica a empresa.
Em uma imagem de divulgação do Modo Estudo, observa-se uma caixa de texto onde o usuário escolhe entre explicações didáticas ou respostas diretas.
Para a professora de redação Fernanda Bérgamo, evitar que alunos busquem atalhos na IA exige diálogo aberto com os próprios jovens, garantindo sua participação no debate.
“Digo aos meus alunos que não vou verificar se usaram IA para produzir textos, já que no Enem não terão esse recurso. É fundamental que desenvolvam autorregulação, percebendo que burlar as regras só traz prejuízos. Historicamente, estudantes sempre tentaram enganar professores, seja copiando enciclopédia ou IA, o processo é o mesmo”, afirma.
A plataforma também recomenda verificar respostas importantes sobre tarefas, provas, saúde, questões legais e finanças. Essa política é a mesma do ChatGPT padrão.
A professora destaca a checagem como forma segura de uso ético e equilibrado, preservando o desenvolvimento intelectual dos adolescentes.
“Quem estuda com essas ferramentas precisa conferir as respostas, avaliar o material e dar seu toque pessoal aos textos produzidos. Vamos aprender a conviver com essa desconfiança, pois a IA nunca será perfeita”, comenta.
Controle parental
Além das funções de estudo, o controle parental ganhou destaque no novo lançamento.
Em nota, a OpenAI confirmou que as alterações seguem os Princípios para Menores de 18 anos, incorporando restrições em áreas de maior risco, como automutilação, violência, distúrbios alimentares, atividades perigosas e conteúdos sexuais explícitos ou gráficos.
Agora, famílias com contas vinculadas a adolescentes podem definir horários de pausa, configurar permissões e receber alertas de segurança em situações de alto risco.
A adaptação da plataforma para menores acompanha a crescente pressão global por regulamentação das redes sociais para crianças e jovens.
Nesta terça (18), começou nos EUA o julgamento da Meta (Facebook e Instagram), acusada de promover o vício entre crianças e adolescentes.
O ChatGPT também enfrenta processo nos EUA após o suicídio de um adolescente que teria seguido orientações da plataforma sobre autoagressão. Os pais responsabilizam a OpenAI por homicídio culposo e violação das normas de segurança.
No Brasil, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) planeja ampliar a fiscalização de até 37 plataformas sob sua supervisão conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital. Recentemente, a agência suspendeu transmissões ao vivo no Discord após um caso envolvendo o suicídio de uma menina de 13 anos, supostamente influenciada por membros de uma comunidade da rede.


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