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Flávio oferece vouchers para creches e microcrédito a mulheres após divergência com Michelle
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta sexta-feira a criação de vouchers para que mães possam matricular seus filhos em creches privadas caso não haja vagas na rede pública, além da expansão das linhas de microcrédito para mulheres empreendedoras.
Essas propostas foram apresentadas em um evento do PL realizado em Fortaleza, marcando a primeira agenda do senador no Ceará desde a crise que resultou na ruptura política com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e na saída dele da presidência nacional do PL Mulher.
Durante seu discurso para candidatos e militantes do partido, Flávio também defendeu o aumento da rigidez na legislação penal para crimes sexuais, afirmando que estupradores a partir dos 14 anos devem ser julgados como adultos, articulando ainda a pauta da segurança pública dentro de seu discurso para a campanha presidencial.
“Vamos conceder vouchers para que as mulheres possam deixar seus filhos em creches privadas se não houver vaga em creches públicas. Também vamos oferecer microcrédito para todas que desejam abrir um negócio, seja um pequeno comércio ou um salão de beleza”, declarou.
Ao longo do discurso, Flávio evitou mencionar a crise com Michelle Bolsonaro, em linha com a estratégia definida por seus aliados para o evento.
No entanto, um dos seus principais apoiadores no Ceará, o deputado federal André Fernandes (PL-CE), fez referência ao episódio durante sua fala, demonstrando saudade do ex-presidente Jair Bolsonaro e mencionando o apelido “galego”, usado por Michelle para se referir ao marido, o que foi interpretado como uma provocação.
Vestindo uma camiseta com a frase “Menos imposto, mais comida na mesa”, Flávio entrou no evento ao som do funk “01”, cumprimentou os presentes, posou para fotos e repetiu a dança típica de suas agendas de campanha. Ele foi anunciado como presidenciável sob aplausos do público, com uma imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro exibida no telão.
O senador também fez menções ao pai, que está preso desde o ano passado, e prometeu seu retorno à vida política.
“Ele (Jair Bolsonaro) não pode assistir ao que estamos dizendo aqui hoje, mas um dia ele vai assistir. Vamos chamá-lo de volta? Volta, Bolsonaro! Ele vai retornar mais forte ainda. Nós vamos enterrar o PT”, afirmou.
Em outro momento, Flávio destacou sua ação internacional nos Estados Unidos para que facções criminosas brasileiras fossem classificadas como organizações terroristas, criticando o governo Lula.
“Me entristece saber que o Ceará está sob o controle de narcoterroristas. Por isso, fui aos Estados Unidos pedir que fossem classificados como terroristas. O PT foi lá para evitar essa classificação”, declarou.
Além disso, defendeu o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que foi alvo de bloqueio de bens determinado pelo ministro Flávio Dino, do STF, acusando o governo de perseguir adversários políticos com uso dos órgãos de investigação.
“Onde está o Lulinha hoje? Ninguém sabe, ninguém viu. Aí o governo troca o delegado da Polícia Federal que estava investigando. Mas para perseguir a oposição tem Polícia Federal. Persegue parlamentar, presidente de partido de direita e tenta interferir nas eleições a todo momento”, criticou.
Contexto da Crise no Ceará
Este evento em Fortaleza marcou a primeira atividade de Flávio no Ceará desde o rompimento com Michelle Bolsonaro, que ocorreu por conta da definição do palanque no estado. Oficializou-se a pré-candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE) ao Senado.
Michelle defendia que a então vereadora Priscila Costa (PL-CE), uma de suas principais aliadas, fosse a candidata da legenda para a vaga. Porém, ao optar pela aliança com o grupo do deputado federal André Fernandes e incluir o PSDB de Ciro Gomes, Flávio contrariou a estratégia da ex-primeira-dama.
Espera-se que Priscila fosse anunciada como pré-candidata à Câmara dos Deputados no evento, mas seu nome não apareceu junto com os demais candidatos da nominata.
O impasse ganhou repercussão nacional após Michelle divulgar um vídeo de quase 30 minutos, acusando Flávio de desrespeitá-la nas negociações e afirmando que o grupo de André Fernandes tentou retirar Priscila da disputa. Dias depois, a ex-primeira-dama deixou a presidência nacional do PL Mulher, aumentando o distanciamento entre eles.
Apesar de não estar concorrendo ao Senado, Priscila continuou envolvida na organização do evento, ficando responsável pela mobilização das mulheres para o ato antes de embarcar para Portugal, onde participou de um encontro de mulheres conservadoras.
Aliança Estadual e Ausência de Ciro Gomes
A aliança formada entre PL e PSDB revelou suas limitações ao marcar a ausência do pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes, no evento.
A assessoria do ex-ministro informou que ele não compareceu por se tratar de “um evento do PL” e que ele sequer estava no Ceará naquela semana.
Nos bastidores, interlocutores afirmam que essa ausência demonstra o caráter puramente estadual da aliança. Nem Ciro nem Flávio têm interesse em transformar esse acordo em uma aproximação política de alcance nacional. A parceria atende exclusivamente ao objetivo de construir um palanque competitivo contra o governador Elmano de Freitas (PT), mantendo a independência dos dois pré-candidatos em suas respectivas campanhas eleitorais.

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