Economia
Governo dos EUA critica Pix, mas sistema cresce e beneficia brasileiros
O sistema de pagamento brasileiro Pix foi alvo de críticas do governo do presidente Donald Trump nos Estados Unidos. Essas críticas serviram como justificativa para a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre vários produtos importados do Brasil, após uma investigação comercial que durou um ano e classificou certas práticas brasileiras como injustas.
A avaliação negativa do Pix reforçou a importância desse sistema para a população brasileira, que o utiliza diariamente. Cerca de 170 milhões de pessoas, ou quase 80% da população, adotaram o Pix, que é gratuito e oferece transferências instantâneas.
A Casa Branca argumenta que o Pix representa uma ameaça concorrencial para empresas americanas e caracteriza o sistema, gerido pelo Banco Central, como protecionista. Contudo, esses argumentos não são comprovados pelos fatos: o Pix não distingue entre instituições financeiras locais ou estrangeiras, e grandes empresas internacionais, como Visa e Mastercard, participam voluntariamente do sistema.
Embora o Banco Central administre e regule o Pix, a principal discussão em torno do sistema é sobre concentração de poder, e não discriminação contra companhias americanas.
Em vez de canibalizar outros métodos de pagamento, o Pix expandiu o mercado. Ainda existem pressões sobre os participantes do sistema, mas, diferentemente do que afirmam os EUA, o impacto não está no volume de transações, mas nas taxas cobradas. Normalmente, empresas pagam em torno de 2% das vendas realizadas com cartão de crédito para processadores de pagamento, e a popularização do Pix pressiona essas empresas a justificarem suas tarifas.
A ideia de que o Pix prejudicou empresas americanas de meios de pagamento baseia-se em um equívoco sobre o propósito do sistema digital. Antes do Pix, serviços existentes, inclusive de empresas estrangeiras, cobravam tarifas que muitos brasileiros de baixa renda não conseguiam pagar.
O Pix foi desenvolvido para transformar essa realidade e está longe de substituir outros meios eletrônicos de pagamento. Ao oferecer transferências gratuitas e instantâneas, o Pix estimulou as pessoas a manterem seus salários e economias em contas bancárias, evitando saques em dinheiro. Isso fortaleceu o sistema bancário no Brasil.
Segundo dados do Banco Central, pelo menos 70 milhões de brasileiros passaram a fazer parte do sistema financeiro formal desde a criação do Pix.
Estudos da Fundação Getulio Vargas indicam que bancos em regiões com maior adoção do Pix tiveram crescimento mais rápido em depósitos, principalmente em áreas com economias informais extensas. Outro estudo constatou que estabelecimentos tinham mais chances de aceitar cartões de débito em localidades onde o Pix é mais utilizado. Entre 2020 e 2024, as transações com cartão de crédito no Brasil cresceram 127%.
De acordo com a análise, a principal preocupação do governo americano pode estar relacionada ao fato de o Pix se tornar referência na América Latina, reduzindo lucros e influência das redes americanas de cartões.
Além do Brasil, o México lançou em 2019 a plataforma instantânea CoDi, porém com baixa aceitação, tendo apenas 1,6% dos mexicanos utilizado o sistema em 2024.
Um benefício do Pix é o aumento da competitividade no setor bancário brasileiro. Desde 2020, antes do Pix, transferências demoradas e caras mantinham clientes fiéis aos grandes bancos tradicionais. Com transferências instantâneas e sem custo, o Pix facilitou a troca de bancos, fortalecendo bancos digitais e instituições menores na disputa pela preferência dos consumidores.

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