Economia
Impacto do acordo Mercosul-UE na balança comercial brasileira ainda não é claro
Questionado sobre se já há algum reflexo do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE) nos números do comércio exterior, o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, disse que esse efeito ainda não pode ser quantificado.
“É esperado que os importadores europeus, que serão os principais beneficiados pelo acordo ao importarem produtos sem tarifas, comecem a aumentar gradualmente suas compras”, explicou. “O acordo já está sendo utilizado, mas o impacto não é mensurável no momento, pois o benefício recai principalmente sobre os importadores europeus”, destacou.
Brandão acrescentou que é necessário aguardar mais tempo para analisar os efeitos completos do acordo. “Há relatos de que empresas têm se beneficiado, e o acordo já influencia tanto nas exportações quanto nas importações”, afirmou.
Após mais de duas décadas e meia de negociações, o acordo entre os blocos comerciais entrou em vigor de forma provisória em 1º de maio, promovendo a redução progressiva das tarifas sobre 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% dos produtos importados pela UE nos próximos anos.
Em junho de 2026, as exportações brasileiras para a União Europeia cresceram 32,4%, alcançando US$ 4,888 bilhões, comparado a US$ 3,418 bilhões em junho do ano anterior. As importações provenientes da UE aumentaram 13,9%, totalizando US$ 4,708 bilhões frente a US$ 4,133 bilhões em junho de 2025. Esse comércio gerou um superávit de US$ 180 milhões no mês.
Entre janeiro e junho de 2026, em relação ao mesmo período do ano anterior, as exportações para a União Europeia subiram 12,8%, chegando a US$ 26,906 bilhões, enquanto as importações caíram 0,4%, ficando em US$ 24,263 bilhões. Dessa forma, a balança comercial entre os blocos apresentou um superávit de US$ 2,643 bilhões nesse intervalo.

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