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Indígenas apresentam estudos inéditos e defendem criação de comissão da verdade

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Entre os dias 21 e 23 de julho de 2026, Brasília será palco do Encontro de Lideranças da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que busca debater a criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade. Lideranças indígenas de todo o país, pesquisadores indígenas e instituições parceiras estarão reunidos para discutir memória, justiça, reparação e evitar que as violações de direitos contra os povos indígenas se repitam.

Este encontro representa uma nova fase do Projeto Justiça de Transição para Povos Indígenas (JTPI), que tem como objetivo pesquisar, formar, documentar e agir sobre as violações de direitos humanos sofridas pelos povos indígenas. Serão apresentados estudos de caso desenvolvidos por pesquisadores indígenas, além de metodologias tradicionais de escuta, parcerias, um mapa interativo e debates sobre experiências internacionais.

A iniciativa é uma realização da APIB, em cooperação com o Instituto de Políticas Relacionais (IPR) e o Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas da Universidade de Brasília (OBIND/UnB), com suporte da Embaixada da Noruega. Segundo Daniela Greeb, do IPR, o evento fortalece as pesquisas indígenas e promove a discussão sobre justiça e reparação para seus povos.

Uma das pautas principais é a proposta de criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade, cuja minuta de decreto foi entregue ao governo federal em outubro de 2025, apoiada por 58 instituições e pareceres jurídicos favoráveis. Essa comissão visa investigar as graves violações contra os povos indígenas, recomendação feita pela Comissão Nacional da Verdade em 2014, após constatar mais de 8 mil mortes indígenas. Apesar do tempo, o mecanismo ainda não foi implementado.

Paulino Montejo, da APIB, destaca que a comissão é um passo essencial para reconhecer as violações e garantir que essas histórias sejam conhecidas e não se repitam. Além disso, pesquisadores indígenas apresentarão estudos que documentam assassinatos, torturas, remoções forçadas, trabalho escravo, perseguição a lideranças, impactos ambientais, racismo estruturado e outras violências que persistem desde a ditadura militar até hoje.

As exposições incluirão a participação de vítimas, representantes comunitários, especialistas e pareceristas que discutirão recomendações para memória, justiça, responsabilização do Estado e reparação.

Elaine Moreira, do OBIND/UnB, ressalta que os estudos valorizam o protagonismo indígena, construindo conhecimentos e preservando memórias junto às comunidades. Entre os casos em destaque está a Terra Indígena Mangueirinha, no Paraná, que evidencia detenção ilegal, trabalho forçado e tortura contra indígenas Guarani, além dos impactos do monocultivo de eucalipto nos povos Tupiniquim e Guarani no Espírito Santo.

Durante o encontro, será lançado o livro “Povos Indígenas e Justiça de Transição: Registros de Memórias que Denunciam Violências”, reunindo pesquisas e depoimentos sobre tortura, genocídio e deslocamentos forçados. Também será exibido o mini documentário “Caminhos para uma Metodologia de Escuta Ancestral”, que apresenta uma técnica criada pelos próprios pesquisadores indígenas para registrar as memórias comunitárias.

O projeto estruturou um acervo de cerca de 3 milhões de documentos digitalizados, que serão devolvidos às comunidades para fortalecer a autonomia sobre suas memórias coletivas. A programação inclui ainda debates sobre os resultados do projeto, a expansão do Centro de Referência Virtual Indígena, o desenvolvimento do mapa interativo e reuniões políticas das lideranças indígenas da APIB.

A APIB reúne sete organizações regionais e atua na defesa dos direitos indígenas e na mobilização contra violações e ameaças a esses direitos.

Serviço:
Encontro de Lideranças da APIB por uma Comissão Nacional Indígena da Verdade
Data: 21 a 23 de julho de 2026
Local: Casa de Retiro Assunção (SGAN Quadra 611, Asa Norte, Brasília/DF)
Porta-vozes disponíveis para entrevistas: Paulino Montejo (APIB), Daniela Greeb (Instituto de Políticas Relacionais), Elaine Moreira (OBIND/UnB), Kristian Bengtson (Embaixada da Noruega)

Fonte: Com informações Jornal de Brasília

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