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Protestos reaparecem em Venezuela após prisão de Maduro
Mães pedem a libertação de filhos que permanecem presos por motivos políticos, trabalhadores do setor petrolífero demandam melhores condições de trabalho e idosos reivindicam aposentadorias dignas. Os protestos voltaram a surgir em uma Venezuela que já não está sob o controle rígido do ex-presidente Nicolás Maduro.
O medo ainda pairava nas ruas devido à repressão que ocorreu após a contestada reeleição de Maduro em 2024, marcada por prisões em massa. As conversas em espaços públicos tornaram-se mais cautelosas.
A liberdade de expressão começa a retornar aos poucos e o receio diminui após a captura de Maduro, em janeiro, durante uma operação realizada pelos Estados Unidos.
A queda do líder chavista, de 63 anos, representou uma mudança significativa, segundo o ativista Diego Casanova, que participou de uma das manifestações no país.
Com um megafone em frente à Procuradoria-Geral em Caracas, ele animava um grupo de cerca de 30 pessoas.
Um grupo de mulheres entoava o coro “Não há liberdade!” exibindo fotos de parentes presos e cartazes exigindo o fechamento de todos os centros de tortura.
Policiais observavam a cena sem reação, alguns registrando com seus celulares. Equipados com escudos antimotim e veículos de alta cilindrada, permaneciam atentos.
Após a queda de Maduro, o poder foi reforçado por Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente, que governa sob forte influência de Washington.
“Eles não abandonaram a perseguição implacável”, afirma Casanova, mas reconhece que “o custo político agora é maior, e a população está mais consciente disso”.
Durante o governo de Maduro, a repressão com gás lacrimogêneo, balas de borracha e veículos blindados resultou em centenas de mortes. Os protestos de 2024 foram sufocados por prisões em massa.
Segundo o Observatório Venezuelano de Conflitividade Social (OVCS), o número de manifestações aumentou 144% no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2025.
Medo e mudança
Rodríguez assumiu o comando de uma Venezuela que, conforme o presidente americano Donald Trump, está sob influência dos Estados Unidos.
A captura de Maduro abriu várias possibilidades, mas também gerou muitas dúvidas, explica à AFP Danny Socorro, diretor da Escola de Psicologia da Universidade Católica Andrés Bello (Ucab).
Por medo, Nely Molina evitou protestar durante meses. Para esta aposentada de 76 anos, “as coisas mudaram um pouco” desde a prisão de Maduro em Nova York, acusado de narcotráfico.
Em outro protesto em Caracas, Molina lamentou sua aposentadoria insuficiente, ao lado de cerca de cem idosos debilitados. A crise econômica é um dos principais motivos das manifestações, segundo o OVCS.
“Temos mais liberdade para protestar, para expressar nossas demandas”, afirma a aposentada.
Um pequeno grupo de policiais observa a cena a poucas quadras do Palácio de Miraflores, fortemente protegido e de acesso restrito.
Os idosos exibem cartazes pedindo “democracia” e “justiça”.
Durante uma manifestação de familiares de presos políticos, Dilsia Caro, de 50 anos, afirmou: “Se você foi às ruas protestar, sabia que correria o risco de ser preso”.
Caro exige a libertação do marido, Noel Flores, de 48 anos, detido sob acusação de participar de um plano para assassinar Maduro.
Ela declara não sentir medo, apesar de ainda vigorar um estado de exceção que pode levar opositores à prisão.
Repressão direcionada
Próximo à prisão Rodeo I, perto de Caracas, familiares de presos políticos mantêm um acampamento exigindo a liberação dos detidos.
Caro participou de vigílias de oração que já ultrapassaram cem dias consecutivos, semelhantes às realizadas diante do Helicoide, conhecido como centro de tortura que Rodríguez prometeu fechar.
Uma greve de fome de um grupo de mulheres em fevereiro, que durou quase seis dias, resultou na aprovação de uma lei histórica de anistia.
Embora se esperasse liberação em massa, cerca de 400 opositores continuam presos, segundo a ONG Foro Penal.
Dificuldades nos serviços públicos, aumentos salariais e eleições presidenciais estão entre as reivindicações em um país cuja crise fez com que cerca de oito milhões de pessoas emigrassem.
Conforme o OVCS, a repressão passou a ocorrer de maneira mais sofisticada, seletiva e menos perceptível. Ativistas relatam detenções arbitrárias de curta duração durante manifestações.
Casanova cola folhas de papel na calçada em frente à Procuradoria-Geral, uma delas com a frase: “Neste momento, um preso político está sendo torturado.”
O sistema repressivo permanece em funcionamento, o que, segundo ele, mantém todos vigilantes.


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