Centro-Oeste
Vendas no comércio de Brasília crescem 1,6%
Em maio de 2026, as vendas no comércio varejista do Distrito Federal aumentaram 1,6% em relação a abril, mostrando uma recuperação após a queda do mês anterior. Esse crescimento superou a média nacional, que foi de apenas 0,1%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação teve o maior aumento, com um crescimento de 238,8% nas vendas.
Comparando com o mesmo período do ano anterior, as vendas cresceram 6,2% na capital federal. No acumulado de 2026 até maio, o aumento foi de 7,0% em relação ao ano passado, e nos últimos 12 meses a alta foi de 4,9%.
Considerando o comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, materiais para construção e atacado de alimentos, bebidas e fumo, as vendas permaneceram estáveis em maio, mantendo o volume do mês anterior. Porém, na comparação com maio de 2025, houve crescimento de 6,3%.
Cristina Helena Pinto de Mello, pesquisadora e professora de economia da PUC-SP, afirma que a resiliência do Distrito Federal em relação ao restante do país pode explicar esses resultados. Ela destaca fatores como o mercado de trabalho estável e a forte presença do setor público na economia local, que geram características específicas para a região. A especialista alerta que os próximos meses devem ser observados para confirmar se essa tendência se mantém.
Das oito categorias analisadas, seis tiveram aumento nas vendas comparado a 2025. Além de equipamentos e materiais para escritório com alta expressiva, livros, jornais e papelaria cresceram 38,9%, enquanto artigos para uso pessoal e doméstico subiram 15,2%. Segundo Mello, o crescimento pode estar ligado a compras específicas, renovação de equipamentos e a uma possível maior adoção do trabalho híbrido.
Outros setores que apresentaram crescimento considerável foram hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com 6,3%; móveis e eletrodomésticos, com 5,0%; e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com 4,4%. Já os segmentos de combustíveis e lubrificantes (-3,5%) e tecidos, vestuário e calçados (-3,8%) registraram queda nas vendas.
Mello comenta que o aumento no consumo pode refletir maior renda disponível, mas também aponta para o aumento das necessidades das famílias, indicando possíveis mudanças no padrão de gastos. Ela recomenda cautela na interpretação dos dados, já que o endividamento e a inadimplência das famílias estão em alta, o que pode dificultar a sustentabilidade dessa tendência positiva no consumo.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login