Economia
Impactos do tarifaço nos setores produtivos de Pernambuco
Na última quarta-feira, os Estados Unidos anunciaram a imposição de tarifas de 25% sobre vários produtos brasileiros, gerando preocupação nos setores produtivos de Pernambuco sobre as consequências nas exportações. Atualmente, segundo dados da Fiepe, o estado exporta cerca de US$ 125 milhões em produtos para os EUA, enquanto o Brasil exporta cerca de US$ 40 bilhões nacionalmente.
A decisão foi tomada após a investigação da Seção 301 pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que apurou supostas práticas comerciais injustas e analisou se ações do Brasil, como o uso do Pix, o desmatamento ilegal, e restrições ao acesso dos EUA ao mercado de etanol brasileiro, prejudicariam empresas americanas. A nova taxação entra em vigor a partir do dia 22.
Um dos setores que deverá sofrer consideravelmente é o do açúcar. Renato Cunha, presidente executivo da NovaBio e do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), aponta que a tarifa adicional dificultará a competitividade do produto.
“O açúcar será afetado pela Seção 301, somando-se à tarifa atual de 12,5%. Anteriormente era 10%, passou para 12,5% e agora acrescentam mais 25%, chegando a 37,5%, o que elevará bastante o custo para exportação. Os EUA dependem do açúcar brasileiro, especialmente do Nordeste, mesmo que não admitam formalmente sua importância”, explicou Renato Cunha.
Renato Cunha também destacou que o setor sucroenergético continua mobilizado junto ao governo federal para tentar suspender esse aumento tarifário. “O Sindaçúcar mantém diálogo com o Ministério da Agricultura, Indústria, Comércio e Itamaraty para evidenciar a essencialidade do açúcar e tentar assegurar que a cota seja isenta, mantendo o comércio bilateral sem tarifas,” afirmou.
Bruno Veloso, presidente da Fiepe, reforçou o receio quanto à taxação, destacando que ela impactará aproximadamente 70% das exportações de Pernambuco para os EUA, sobretudo no setor de frutas.
“É uma medida bastante prejudicial para Pernambuco. Cerca de 70% das exportações serão afetadas, principalmente as frutas, exceto a manga. A uva e outras frutas do Vale do São Francisco também sofrerão a taxação. O açúcar, fundamental para nossa economia, também será penalizado. Isso nos preocupa muito”, declarou Bruno Veloso.
A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas) optou por aguardar mais informações antes de se pronunciar sobre os impactos no setor frutífero.
Enquanto isso, a vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause, afirmou que o governo estadual permanece atento à situação e mantém diálogo contínuo com os setores afetados, incluindo o de exportação de frutas.
“O governo do estado está sempre ouvindo os setores impactados. Tivemos esse problema anteriormente e estivemos próximos, realizando levantamentos sobre os efeitos. O governo federal também está atuando na questão. Esperamos que essa medida não se concretize, mas o setor sabe que conta com nosso apoio,” disse Priscila Krause.
Bruno Veloso também mencionou que a Fiepe participou ativamente das discussões contra a Seção 301 para evitar o tarifamento, contando com o suporte jurídico da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
“A CNI nos representou judicialmente nos EUA. Sabemos que fizemos nosso papel adequadamente. A indústria está sempre atenta e preocupada com o comércio exterior,” concluiu Bruno Veloso.

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